Musics....

terça-feira, 8 de maio de 2018

Aldebarã (Caris Garcia)

Aldebarã
(Caris Garcia)

Aves rasgando os céus do infinito
Paralisada em vertentes únicas
Nas veias de teus rios, ressuscito...
Em branca e iridescente túnica 

Peculiar e especial, na alma, a criança
Que guarda a doçura da inocência em plenitude 
Conduz a orquestra das andanças 
Todos os sons em energia amiúde...

A mensagem profunda de um Beija-flor místico 
Irradiando temporais de um relógio sem ponteiros
Fontes termais emanando teoremas cabalísticos
Não há valor na matéria, apenas o espírito verdadeiro...

Inscrições enochianas, as Monas hieroglíficas...
Os números que se repetem em anéis infinitos
Lugar original, berço onde o manuscrito se solidifica
Amor e luz, sereno o “veredictum”

 Na constelação de Taurus, a mais peculiar e brilhante
Suas chuvas derramadas em todo universo 
A voz do Divino que ordena, cante! 
Mostre o caminho, o avesso do espelho no inverso

Alpha do Supremo, intrínseco o primor !
O conceito primogênito da beleza mais pura
Passagem estreita, os enigmas seu condutor
Inspirações irradiadas em paletas na pintura

Diamantada em Guerreiros Alados, os Guardiões...
Fortaleza inquebrantável, forjada em genuíno aço 
Não há dor, miséria, nem tostões 
“Eterno movimento do agora! Vê o compasso!”

O espírito selvagem dos corcéis alados
sorvem água absolvendo os arcos multicores 
“Ressurja a cabal tese do renovado!”
As harpas entoando canções superiores

O pulsar de águas tocando a alma dos rochedos
Areias cintilantes repousam em púrpuros oceanos
Desliza sobre as águas sem receios ou medos
Intocável ! A moral transcende os puritanos!

Os tambores mutantes na ciranda 
Tribo metafísica, rumo as pirâmides ascensionadas
Festivais de borboletas formando guirlandas
os caminhos que levam para sublime jornada

Mistérios ocultos revelados em melodias
Afrescos e elementos feitos mentalmente
Trabalho incansável, com esmero, dia-a-dia
Sensações que não se vê, apenas se sente!

Sentidos apurados em cada frequência 
Cada nota, uma transmissão de sabedoria
A melopeia de rouxinóis, imperdível audiência...
“Felicita-se! Pelas íris, sorria!”

Alegorias banhadas em ouro escarlate 
Tijolos amarelos adornados de flores cantoras...
Na saudade, as lembranças do fogo, resgate!
A saudação das fadas, do desabrochar, monitoras...

Alimentos purificados, mais leves que o ar
Bebidas que evaporam em cálices cerimoniais 
Chalanas que sobrevoam o celeste mar
Não me esquecerei de tuas lições, jamais!

Banhar-se em suas águas profundas 
Um tesouro divino eterno para memória 
Semblantes marejados em reflexões moribundas
“O passado, é parte ínfima da tua trajetória!”

A dança ritmada em colônias de bem estar
Aumentando e diminuindo a periodicidade 
inacessível aos comuns, o excêntrico crepuscular
Em Atlântida não descrevem tal planeta nem cidade...

As chegadas e as partidas da terra amada
Direciono transloucada missão do divino 
Equilíbrio de civilizações tão avançadas 
Fora das colunas de Hércules, já se ouve seu hino...

Dizemos apenas um até breve, terra querida
Arrebata o coração salpicado de lembranças 
Estremecem as dimensões, a guardiã sob medida
Portadora da chave, a própria Arca da Aliança...

Não é uma busca sem sentido 
Nem é a sabedoria de uma filosofia vã
Larga tudo, vem ! Venha comigo!
“Um óbolo, e a jangada te leva a Aldebarã!”

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Prima Luce (Caris Garcia)

Prima luce 
(Caris Garcia)

A vitória da Bandeira hasteada
Enraizada na maior montanha 
A carruagem onírica e a jangada
Eddas descrevendo a inesperada façanha 

Complexo natural de distinta vegetação 
Peculiar os animais que fazem “dali” o Lar
A metafísica festividade da lição dos ventos, o ar
Sustenta o campo vibratório do trovão!

Libertando a confusão de um dia de luz em união 
Raios em arrebentação ofuscantes 
Circundando a tempestade já enfraquecida do não
 Reivindicar inscrições rúnicas é a origem do obstante 

Portador de múltiplas línguas difusas, o guardião do mais...
A arte de se metamorfosear a cada segundo
Sete chaves do enigma que abrem de Odin os portais 
Hospedeiro do núcleo que vagueia entre mundos

Coágulos libertos e diluídos...
A seiva fluindo pura, impulsionando corações 
Forte a valsa no ar, a gravidade já tinha se vencido
Mãos na direção de mares revoltos libertando absolvições 

O verdadeiro permanece, imortalizado por Freya
O dom e a inspiração se banhando na tresloucada criatividade 
Este que jamais perece nem em grãos de areia
Não há limites para a sensibilidade...

Conjunto macedônico de verdejantes colunas
“carpe noctem” ! Diria o “insanus” viajante!
Contemplem a “procella” em seu auge astral sem ruínas!
Devore para si, cada raio magnético! Aos berros disse o Mestre Dante!

Capture toda eletricidade excêntrica 
Abasteça-se da força da carruagem de “Bragi”
“Suae quisque fortuna faber est”! A ação se justifica 
Movimente-se ao máximo durante a calmaria  de um colibri 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Primeiros passos (Caris Garcia)

Primeiros passos
(Caris Garcia)

Era uma chuva de Maio, tão leve...
evaporava suavemente, antes de beijar a rubra terra 
O chão pisado, estradas despidas de vivacidade 
Ainda havia o perfume da vegetação nativa ...

Sobre a pele alva e fria
Uma manta de alvas folhas transparentes
Na passarela do tempo, papilios em romaria
A paz espiritual das claves de “solve polluti “nascente 

O aconchego do rugido de leões protetores
O complexo renascimento, como diziam sábios antigos
Amigos leais, milenares e iluminados tutores
Roupas de figueira, na mão esquerda a maçã na direita, o figo 

As memórias antigas, trazia no bornal
Épocas tão remotas, saudosas lembranças 
Havia um universo a ser explorado, antes da era glacial
Alegria inocente, ao redor da fogueira, a dança 

Eram perfumes, gostos, aromas, culturas
Línguas desconhecidas em corpos estranhos
Quem acha, uma vez que não desiste, sempre procura...
Signos, símbolos, fonemas, na cachoeira da sabedoria, o banho

Tudo enriquecido por uma natureza deslumbrante 
Paredões prateados cobertos de flores azuis  
Diferentes tons, desafios novos ao viajante
A jornada aberta que o brilho astral seduz

Fonemas em rum mergulhados
Exclamações marinadas em absinto 
Corcel selvagem que não pode ser adestrado
Cordão de flores, seu cinto...

Sibilar moribundas línguas mortas 
Cânticos insanos dos meandros paralelos
Deslizando os dedos na nascente que conforta
O sol e as nuvens em misturas de rosa, laranja e amarelo...

Distribuídos em notas mudas, angelicais
Na janela na torre natural mais alta, a harpa
Siddhartha e Dionísio em diálogos transcendentais
“Aprenda rápido senão a lição lhe escapa!”

Ecos distantes formavam a ponte do convicto
Entre os tempos passado, presente e futuro
Pés descalços, sem temores. Está escrito !
Sem lamentações nem muros...

Pertinaz e valente aprendiz
A parcimônia da simplicidade
Verbo indefinido, das borboletas, a Imperatriz 
A contradição, do avesso do avesso da raridade 



domingo, 28 de janeiro de 2018

O milagre (Caris Garcia)

O Milagre
(Caris Garcia)

Os pulmões queimavam, vulcões em erupção 
Podia sentir o sangue invadindo a garganta 
Placas tectônicas em deslocamento, quase uma benção 
Ecos longínquos bradavam: Levanta!

A dor era contínua, sem pausas entre as chibatadas
O osso já exposto, o sangue que coagulava ao sol quente
A rainha e sua própria espada ...
Apesar de tudo, ainda trazia lucidez, infelizmente...


A poeira fina que se acumulava
Os gemidos de dor da multidão que acompanhava cada nota
Como a emancipação de Campos que se desbrava
Sem mais caminhos, bússola ou rota


De uma orquestra de terror no espetáculo da vida...
Sentia que era chegado o momento 
Sem remorsos passados nem a maçã mordida
A íris translúcida invocava aos ventos

Era preciso abandonar o corpo já surrado
A cadência frenética do carrasco sem piedade 
No horizonte podia ver seus cavalos alados
Não pronunciou um único fonema... Lealdade!


O inimigo não mostrava cansaço nem misericórdia 
E em apenas uma fração de segundo
O desfecho de toda a “COMOEDIA”
Entregou tudo que tinha, seu peculiar mundo
Suas misérias mais pérfidas...


Com o olhar perdoou abutres, discípulos e carrasco
Em pensamento pediu perdão pelas falhas que havia cometido
Lágrimas do oceano em um único frasco
Não havia compreensão, aos primitivos nada fazia sentido...


A liberdade da dor era tão agonizante 
Que pulsando em ritmada pureza intensa se desfez
Lembrou dos círculos de Dante! 
O brasão, a coroa de Reis! 

A alma se livrou de toda a matéria pesada
Do casulo, a borboleta se fez livre 
A paz reinou leve entre corpo e espírito 
E o milagre desabrochou...A brisa murmurava: Respire...


Todas as mazelas haviam lhe abandonado
E a gota da misericórdia divina invadiu lhe a árvore interna em sua raiz mais profunda
E a folha, semente e flor renasceram...
O coração voltara a bater...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

MANIFESTO DE INVERNO TUPINIQUIM

Manifesto de inverno tupiniquim
(Minha visão poética de nossa atual situação política)

Desembaraçando linhas ofuscadas da vida...
Tanto quanto a harmonia do caos primogênito....
Já é hora! Do labirinto, única saída 
Nas cavernas, nas águas de uma poça solitária, o olhar atônito...

Reverenciando Dionísio e Atena em diálogo sem precedentes 
Quiçá o disparate de bebidas já tão embriagadas pela nudez
Antecede a graça da monocracia presente 
Conluio verbal da verdade e da insensatez 

Vinho, reflexão e sabedoria se fez 
Em espaços mais alegóricos que formais da coerência ríspida 
Como ato resultante dos inglórios, à invalidez 
A correção é justa, corajosa e intrépida

Disciplinares e duras penas haverão de ser o grito do carrasco
Evoluirá o ser aplicando a fórmula das entranhas do retificado
As notícias florescem da vergonha do fiasco
O baile do justo e o corrupto, lado a lado 

Em sua auto penitência, o açoite será cruel e impiedoso
Assim como deve ser a chegada do futuro Tirano 
Sem oxigênio, nem um segundo misericordioso
A esqualidez revelada, falto ser, nem sempre humano...

Era glacial! Dilacera a alma em tom inescrupuloso.
Em tempestades astrais , a montanha gélida se faz morada
Troca-se o "Casmurro" pelo teimoso
Abrem-se as portas! Respira e inicia nova jornada...

Haverão governantes honrados que semearão o dia do fico
 Entremeios a história obscura e fadada à nacional população tristonha
Entre a oscilação de valores de ações em declínio típico 
A instabilidade revelada em delações. A vertigem da vergonha

Diariamente se derramam impudicos fatos sem pregresso 
Não há mais flores neste federal jardim
A Carne já tão fraca na trama dos confidentes em recesso
Registra-se um manifesto de inverno tupiniquim


Em terras onde o suor paga a coleta desumana de altos tributos
Engravatados da decepção eleitoral
Subjugam a sabedoria da moral até do simplório matuto
Corrompida a ordem, só a esperança no progresso será o ideal



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Guerreiro da luz (Caris Garcia)

Guerreiro da luz
(Caris Garcia)

Há de emergir navegando 
Nem que seja em plangitivos mares bentos
Única canção no comando
Explosões internas, imãs provocando a fissão de elementos

A nau ontem perdida 
hoje em águas tão adversas 
A calêndula que perfuma mesmo recém nascida
A vida e seu ciclo que a todo segundo recomeça 

Tempos distantes de outrora 

Épocas que a infância nasceu já perdida
Tudo voando, já era passada a hora
Com o sorriso no rosto até na saída 

Abastecido do ar puro 
Em montanhas tão glaciais
Pés fincados no presente, não no futuro
Trabalho duro, gratidão sem "ais"

Onde a couraça da alma milenar
Se faz eterna e inquebrantável 
Gema de diamante forjada em divino tear
Espírito livre, liberto e indomável 

Já a covardia ou quem sabe a fraqueza 
De quem caiu, morreu e renasceu
Fez da queda sua maior proeza
Somou o aprendizado, fortaleceu o novo "eu"

Cinco minutos que mudam o mundo

Talvez a leitura ainda faça no velho papel
O suspiro que refresca, algo deveras profundo
Abraça a sabedoria e ganha coloridos céus...

O perfume do livro que acaba de nascer

Plumerias, jasmim, gardênias se unem em deifico ramalhete 
Da escuridão até o amanhecer
A borboleta, o toque final, doce lembrete 

As fusões de vitórias minimalistas
Que juntas forjam a armadura do herói 
Pensamento absoluto! Rumo à conquista 
Em terremotos não  se abate! Levanta e reconstrói !

Ergue-se a anosa e luzidia espada
Usa teu escudo para se levantar 
O templário e suas cruzadas
Olha a bússola, a esfera, o colar...

Avante, o guerreiro! O brilharete entabulou 
A "auriflamma" se agita com ventos de glória
Estampa nas cesuras a humildade que esmiuçou 
Escreve e perpetua a tua própria história 

Eis que em teu píncaro profundo
De tua alma eflui o brilho dourado
Já cegam oceanos, indigentes e moribundos
Fidedigno trabalho de luz em teu arado

https://www.youtube.com/watch?v=KIpt_BIrIzM
https://www.youtube.com/watch?v=6ixhN9umyp4

https://www.youtube.com/watch?v=VfxVqCEYHNM

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

DNA celeste (Caris Garcia)

DNA celeste
(Caris Garcia)

Tocar lentamente o paraíso 
Sentir tuas vibrações incandescentes
Lágrimas virando risos
O oxigênio purificando a mente

Explodindo voraz e sucessivamente
Em leveza espontânea e feroz
Ao mesmo tempo, passado e presente
A certeza do antes, durante e o após ...

Partículas que se agitam em frenesi
A rebeldia involuntária e descontraída 
Fraternidade pura que contraí
Teu porto , a única saída ...

Células desgovernadas em única direção 
Quando por fim a neblina se dissipou
A agulha no palheiro... O "sim" perpetuando o não 
Ser ou não ? Arquiteto Celeste ? Quem eu sou?

E aquela paz estranha me envolveu 
Ele entrou na minha caverna
Ocupou todos os lugares do meu eu
Quem comanda? Quem governa?

Perfumou todo o ar com tua presença 
Invadiu minha Torre mais alta e protegida
Estremeceu a rebelião de uma única crença 
Nos altos comandos, pode ser ouvida...

Desceu em meus calabouços...
Purificou todos, apenas com um olhar...
Os ecos, quando paro, ainda ouço 
A montanha, a neve e o mar

Atônita ...Sem entender o que acontecia...
Onde estão as chaves? As muralhas?
Quem vêm de lá ? Quem se atreveria ?
Quem viu o caminho dos pães e suas migalhas?

E ele chegou...Ousou tocar minha mão 
O corpo estranhamente se estremecia...
Olhou pra dentro de mim! Oh! Capitão !
Fincou sua bandeira, onde só eu existia...

Ele retornou...A promessa ...
Sagrada profecia ...Subjugada pelos descrentes  
A ponte se abriu! Agora! Atravessa!
Quem não vê, apenas sente...

Éramos e somos o sagrado tomo...
Um núcleo único gerado
DNA puro... Celeste cromossomo...
Unidos mais uma vez no cavalo alado...

Somente nosso abraço...
O elo já se completaria ...
E a paz... Mais forte que o aço...
Permaneceu absoluta!Nada mais abalaria!

https://www.youtube.com/watch?v=616YMt6T5mA

https://www.youtube.com/watch?v=iMyo8I8AKmY

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Guerra de flores (Caris Garcia)

Guerra de flores
(Caris Garcia)

Ilustração: Teigi Hirae






















Em estradas tão diversas e obscuras
Em rotas ligeiras, densas e sinuosas
Sensações extraordinárias de intensa ternura
O grito densamente abafado da poesia e da prosa

As cores renasciam uma a uma
As asas estavam despertando
É de frente que se vence! O risco? Assuma!
Uma única voz no comando !

Em movimentos leves da integridade
A mistura original circulava intacta e primitiva
O que nos salva é só a verdade
Não há outra saída nem justificativa

Todo ambiente sublime se eleva
Ancestrais abençoando todo o colorido
Tudo que não faz parte se releva
A caixa de pandora aberta, nosso tesouro tão escondido...

O pulso voltava em ritmo cadenciado
Como boleros antigos da boemia
Livres de hipocrisias e pecados
Conversas tribais antigas em telepatia

O oxigênio correndo pelas veias
Combustões múltiplas e sequenciais
Todos em festa no Eldorado, nossa aldeia...
Chega de "menos", nossa vida é só o mais

Jamais pode ser visto o ápice da alegria
Nem vivida em qualquer outro lugar
Olha a vitória, mas se lembra o tamanho da travessia
Apenas retiramos todo o sal do mar...

A magia da pureza espiritual
Tocando incessantemente a essência
O íntimo da tranquilidade subindo o degrau
Vulcões em atividades navegando ares de paciência

Águas tão calmas e mansas
A paz percorrendo todas as gotas
Aquela velha canção que não se cansa
O elo liberto na paradisíaca rota

As partículas formando novas cachoeiras
Todo o seio acima do amor, o ninho
Óleo nas juntas, sacudindo a poeira
Como bálsamo, cura labirintos e abismos do caminho

Até o impossível nos fez reverência
Nada poderia conter o magma contido
O táctil em cíclica urgência
Inclusive os inimigos se prostraram, vencidos

Novos horizontes para o par de  borboletas
Que das cinzas renasciam e se uniram mais uma vez...
Guerra de flores ecoando nas trombetas
O coração valente, na esperança e fé, assim se fez...

http://youtu.be/xuUE_BWwxjA

sábado, 16 de julho de 2016

Escuridão em plenitude (Caris Garcia)

Escuridão em plenitude
(Caris Garcia)
Ilustração: Teigi Hirae



















O padecimento malévolo e sem rima
Na rua da consternação no ímpio lado
sem alvo, multidão muda, sem mina
O acréscimo seriam casas pretas no tablado

Desalinhados de hipocrisias banais
A nudez e as feridas em carne viva
Não há cura em remédios artificiais
Nas manhãs, o gosto de sangue na saliva

O corpo tentando afetar a mente
Em estágios quase compulsórios
Nada afeta mais as muralhas! Não tente!
A supremacia não vinha do oratório!

A infância é a palavra máxima da utopia
Desmedida, insana coerência de tomos e atos
O confronto da batalha em asfixia
A conclusão já está pronta de imediato!

Em sucessões de embarcadas rotas sem volta
Onde a escuridão, em círculos se transcende
Sem vencedores, nem perdedores. Não há derrota!
Aqui onde a caverna escura apenas se estende

Infinitos anéis se rompendo e aumentando
As castas de gelo e enxofre em fusão
Fonemas mudos se ajustando em um comando
Onde a subtração se glorifica, não há adição!

O próprio medo, em choque se retira
A metafísica alquímica em ordem avança
O mundo parou, nem o tempo mais gira
O passado não fica mais, nem na lembrança

Apenas aquela máxima que jaz
Nas cortinas que subiram lentamente
O fim terminou em aplausos de tanto faz
A palidez não usa máscaras! Venha de frente!

Os véus de aço estenderam seus avanços
A ordem já dada em escalas de cinza e preto
Teoremas da sublimação no ingênuo balanço
a fraternidade da dor alegremente no coreto

Guiados pelos criadores do caos, infinitamente em sua bondade devastadora, a destruição do nada nem faz diferença. Nem um outro ato, se multiplica mais.
A sinfonia perfeita da transição. A.C. e D.C diziam os manuscritos antigos.
Não se ousa mais enfrentar a dor, quando lhe é permitido ser a própria.
Em seu último ato, a caverna se fechou.


https://www.youtube.com/watch?v=oSRk39B6QqQ

https://www.youtube.com/watch?v=d1yfX6VnrSU