Musics....

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Prima Luce (Caris Garcia)

Prima luce 
(Caris Garcia)

A vitória da Bandeira hasteada
Enraizada na maior montanha 
A carruagem onírica e a jangada
Eddas descrevendo a inesperada façanha 

Complexo natural de distinta vegetação 
Peculiar os animais que fazem “dali” o Lar
A metafísica festividade da lição dos ventos, o ar
Sustenta o campo vibratório do trovão!

Libertando a confusão de um dia de luz em união 
Raios em arrebentação ofuscantes 
Circundando a tempestade já enfraquecida do não
 Reivindicar inscrições rúnicas é a origem do obstante 

Portador de múltiplas línguas difusas, o guardião do mais...
A arte de se metamorfosear a cada segundo
Sete chaves do enigma que abrem de Odin os portais 
Hospedeiro do núcleo que vagueia entre mundos

Coágulos libertos e diluídos...
A seiva fluindo pura, impulsionando corações 
Forte a valsa no ar, a gravidade já tinha se vencido
Mãos na direção de mares revoltos libertando absolvições 

O verdadeiro permanece, imortalizado por Freya
O dom e a inspiração se banhando na tresloucada criatividade 
Este que jamais perece nem em grãos de areia
Não há limites para a sensibilidade...

Conjunto macedônico de verdejantes colunas
“carpe noctem” ! Diria o “insanus” viajante!
Contemplem a “procella” em seu auge astral sem ruínas!
Devore para si, cada raio magnético! Aos berros disse o Mestre Dante!

Capture toda eletricidade excêntrica 
Abasteça-se da força da carruagem de “Bragi”
“Suae quisque fortuna faber est”! A ação se justifica 
Movimente-se ao máximo durante a calmaria  de um colibri 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Primeiros passos (Caris Garcia)

Primeiros passos
(Caris Garcia)

Era uma chuva de Maio, tão leve...
evaporava suavemente, antes de beijar a rubra terra 
O chão pisado, estradas despidas de vivacidade 
Ainda havia o perfume da vegetação nativa ...

Sobre a pele alva e fria
Uma manta de alvas folhas transparentes
Na passarela do tempo, papilios em romaria
A paz espiritual das claves de “solve polluti “nascente 

O aconchego do rugido de leões protetores
O complexo renascimento, como diziam sábios antigos
Amigos leais, milenares e iluminados tutores
Roupas de figueira, na mão esquerda a maçã na direita, o figo 

As memórias antigas, trazia no bornal
Épocas tão remotas, saudosas lembranças 
Havia um universo a ser explorado, antes da era glacial
Alegria inocente, ao redor da fogueira, a dança 

Eram perfumes, gostos, aromas, culturas
Línguas desconhecidas em corpos estranhos
Quem acha, uma vez que não desiste, sempre procura...
Signos, símbolos, fonemas, na cachoeira da sabedoria, o banho

Tudo enriquecido por uma natureza deslumbrante 
Paredões prateados cobertos de flores azuis  
Diferentes tons, desafios novos ao viajante
A jornada aberta que o brilho astral seduz

Fonemas em rum mergulhados
Exclamações marinadas em absinto 
Corcel selvagem que não pode ser adestrado
Cordão de flores, seu cinto...

Sibilar moribundas línguas mortas 
Cânticos insanos dos meandros paralelos
Deslizando os dedos na nascente que conforta
O sol e as nuvens em misturas de rosa, laranja e amarelo...

Distribuídos em notas mudas, angelicais
Na janela na torre natural mais alta, a harpa
Siddhartha e Dionísio em diálogos transcendentais
“Aprenda rápido senão a lição lhe escapa!”

Ecos distantes formavam a ponte do convicto
Entre os tempos passado, presente e futuro
Pés descalços, sem temores. Está escrito !
Sem lamentações nem muros...

Pertinaz e valente aprendiz
A parcimônia da simplicidade
Verbo indefinido, das borboletas, a Imperatriz 
A contradição, do avesso do avesso da raridade 



domingo, 28 de janeiro de 2018

O milagre (Caris Garcia)

O Milagre
(Caris Garcia)

Os pulmões queimavam, vulcões em erupção 
Podia sentir o sangue invadindo a garganta 
Placas tectônicas em deslocamento, quase uma benção 
Ecos longínquos bradavam: Levanta!

A dor era contínua, sem pausas entre as chibatadas
O osso já exposto, o sangue que coagulava ao sol quente
A rainha e sua própria espada ...
Apesar de tudo, ainda trazia lucidez, infelizmente...


A poeira fina que se acumulava
Os gemidos de dor da multidão que acompanhava cada nota
Como a emancipação de Campos que se desbrava
Sem mais caminhos, bússola ou rota


De uma orquestra de terror no espetáculo da vida...
Sentia que era chegado o momento 
Sem remorsos passados nem a maçã mordida
A íris translúcida invocava aos ventos

Era preciso abandonar o corpo já surrado
A cadência frenética do carrasco sem piedade 
No horizonte podia ver seus cavalos alados
Não pronunciou um único fonema... Lealdade!


O inimigo não mostrava cansaço nem misericórdia 
E em apenas uma fração de segundo
O desfecho de toda a “COMOEDIA”
Entregou tudo que tinha, seu peculiar mundo
Suas misérias mais pérfidas...


Com o olhar perdoou abutres, discípulos e carrasco
Em pensamento pediu perdão pelas falhas que havia cometido
Lágrimas do oceano em um único frasco
Não havia compreensão, aos primitivos nada fazia sentido...


A liberdade da dor era tão agonizante 
Que pulsando em ritmada pureza intensa se desfez
Lembrou dos círculos de Dante! 
O brasão, a coroa de Reis! 

A alma se livrou de toda a matéria pesada
Do casulo, a borboleta se fez livre 
A paz reinou leve entre corpo e espírito 
E o milagre desabrochou...A brisa murmurava: Respire...


Todas as mazelas haviam lhe abandonado
E a gota da misericórdia divina invadiu lhe a árvore interna em sua raiz mais profunda
E a folha, semente e flor renasceram...
O coração voltara a bater...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

MANIFESTO DE INVERNO TUPINIQUIM

Manifesto de inverno tupiniquim
(Minha visão poética de nossa atual situação política)

Desembaraçando linhas ofuscadas da vida...
Tanto quanto a harmonia do caos primogênito....
Já é hora! Do labirinto, única saída 
Nas cavernas, nas águas de uma poça solitária, o olhar atônito...

Reverenciando Dionísio e Atena em diálogo sem precedentes 
Quiçá o disparate de bebidas já tão embriagadas pela nudez
Antecede a graça da monocracia presente 
Conluio verbal da verdade e da insensatez 

Vinho, reflexão e sabedoria se fez 
Em espaços mais alegóricos que formais da coerência ríspida 
Como ato resultante dos inglórios, à invalidez 
A correção é justa, corajosa e intrépida

Disciplinares e duras penas haverão de ser o grito do carrasco
Evoluirá o ser aplicando a fórmula das entranhas do retificado
As notícias florescem da vergonha do fiasco
O baile do justo e o corrupto, lado a lado 

Em sua auto penitência, o açoite será cruel e impiedoso
Assim como deve ser a chegada do futuro Tirano 
Sem oxigênio, nem um segundo misericordioso
A esqualidez revelada, falto ser, nem sempre humano...

Era glacial! Dilacera a alma em tom inescrupuloso.
Em tempestades astrais , a montanha gélida se faz morada
Troca-se o "Casmurro" pelo teimoso
Abrem-se as portas! Respira e inicia nova jornada...

Haverão governantes honrados que semearão o dia do fico
 Entremeios a história obscura e fadada à nacional população tristonha
Entre a oscilação de valores de ações em declínio típico 
A instabilidade revelada em delações. A vertigem da vergonha

Diariamente se derramam impudicos fatos sem pregresso 
Não há mais flores neste federal jardim
A Carne já tão fraca na trama dos confidentes em recesso
Registra-se um manifesto de inverno tupiniquim


Em terras onde o suor paga a coleta desumana de altos tributos
Engravatados da decepção eleitoral
Subjugam a sabedoria da moral até do simplório matuto
Corrompida a ordem, só a esperança no progresso será o ideal



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Guerreiro da luz (Caris Garcia)

Guerreiro da luz
(Caris Garcia)

Há de emergir navegando 
Nem que seja em plangitivos mares bentos
Única canção no comando
Explosões internas, imãs provocando a fissão de elementos

A nau ontem perdida 
hoje em águas tão adversas 
A calêndula que perfuma mesmo recém nascida
A vida e seu ciclo que a todo segundo recomeça 

Tempos distantes de outrora 

Épocas que a infância nasceu já perdida
Tudo voando, já era passada a hora
Com o sorriso no rosto até na saída 

Abastecido do ar puro 
Em montanhas tão glaciais
Pés fincados no presente, não no futuro
Trabalho duro, gratidão sem "ais"

Onde a couraça da alma milenar
Se faz eterna e inquebrantável 
Gema de diamante forjada em divino tear
Espírito livre, liberto e indomável 

Já a covardia ou quem sabe a fraqueza 
De quem caiu, morreu e renasceu
Fez da queda sua maior proeza
Somou o aprendizado, fortaleceu o novo "eu"

Cinco minutos que mudam o mundo

Talvez a leitura ainda faça no velho papel
O suspiro que refresca, algo deveras profundo
Abraça a sabedoria e ganha coloridos céus...

O perfume do livro que acaba de nascer

Plumerias, jasmim, gardênias se unem em deifico ramalhete 
Da escuridão até o amanhecer
A borboleta, o toque final, doce lembrete 

As fusões de vitórias minimalistas
Que juntas forjam a armadura do herói 
Pensamento absoluto! Rumo à conquista 
Em terremotos não  se abate! Levanta e reconstrói !

Ergue-se a anosa e luzidia espada
Usa teu escudo para se levantar 
O templário e suas cruzadas
Olha a bússola, a esfera, o colar...

Avante, o guerreiro! O brilharete entabulou 
A "auriflamma" se agita com ventos de glória
Estampa nas cesuras a humildade que esmiuçou 
Escreve e perpetua a tua própria história 

Eis que em teu píncaro profundo
De tua alma eflui o brilho dourado
Já cegam oceanos, indigentes e moribundos
Fidedigno trabalho de luz em teu arado

https://www.youtube.com/watch?v=KIpt_BIrIzM
https://www.youtube.com/watch?v=6ixhN9umyp4

https://www.youtube.com/watch?v=VfxVqCEYHNM

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

DNA celeste (Caris Garcia)

DNA celeste
(Caris Garcia)

Tocar lentamente o paraíso 
Sentir tuas vibrações incandescentes
Lágrimas virando risos
O oxigênio purificando a mente

Explodindo voraz e sucessivamente
Em leveza espontânea e feroz
Ao mesmo tempo, passado e presente
A certeza do antes, durante e o após ...

Partículas que se agitam em frenesi
A rebeldia involuntária e descontraída 
Fraternidade pura que contraí
Teu porto , a única saída ...

Células desgovernadas em única direção 
Quando por fim a neblina se dissipou
A agulha no palheiro... O "sim" perpetuando o não 
Ser ou não ? Arquiteto Celeste ? Quem eu sou?

E aquela paz estranha me envolveu 
Ele entrou na minha caverna
Ocupou todos os lugares do meu eu
Quem comanda? Quem governa?

Perfumou todo o ar com tua presença 
Invadiu minha Torre mais alta e protegida
Estremeceu a rebelião de uma única crença 
Nos altos comandos, pode ser ouvida...

Desceu em meus calabouços...
Purificou todos, apenas com um olhar...
Os ecos, quando paro, ainda ouço 
A montanha, a neve e o mar

Atônita ...Sem entender o que acontecia...
Onde estão as chaves? As muralhas?
Quem vêm de lá ? Quem se atreveria ?
Quem viu o caminho dos pães e suas migalhas?

E ele chegou...Ousou tocar minha mão 
O corpo estranhamente se estremecia...
Olhou pra dentro de mim! Oh! Capitão !
Fincou sua bandeira, onde só eu existia...

Ele retornou...A promessa ...
Sagrada profecia ...Subjugada pelos descrentes  
A ponte se abriu! Agora! Atravessa!
Quem não vê, apenas sente...

Éramos e somos o sagrado tomo...
Um núcleo único gerado
DNA puro... Celeste cromossomo...
Unidos mais uma vez no cavalo alado...

Somente nosso abraço...
O elo já se completaria ...
E a paz... Mais forte que o aço...
Permaneceu absoluta!Nada mais abalaria!

https://www.youtube.com/watch?v=616YMt6T5mA

https://www.youtube.com/watch?v=iMyo8I8AKmY

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Guerra de flores (Caris Garcia)

Guerra de flores
(Caris Garcia)

Ilustração: Teigi Hirae






















Em estradas tão diversas e obscuras
Em rotas ligeiras, densas e sinuosas
Sensações extraordinárias de intensa ternura
O grito densamente abafado da poesia e da prosa

As cores renasciam uma a uma
As asas estavam despertando
É de frente que se vence! O risco? Assuma!
Uma única voz no comando !

Em movimentos leves da integridade
A mistura original circulava intacta e primitiva
O que nos salva é só a verdade
Não há outra saída nem justificativa

Todo ambiente sublime se eleva
Ancestrais abençoando todo o colorido
Tudo que não faz parte se releva
A caixa de pandora aberta, nosso tesouro tão escondido...

O pulso voltava em ritmo cadenciado
Como boleros antigos da boemia
Livres de hipocrisias e pecados
Conversas tribais antigas em telepatia

O oxigênio correndo pelas veias
Combustões múltiplas e sequenciais
Todos em festa no Eldorado, nossa aldeia...
Chega de "menos", nossa vida é só o mais

Jamais pode ser visto o ápice da alegria
Nem vivida em qualquer outro lugar
Olha a vitória, mas se lembra o tamanho da travessia
Apenas retiramos todo o sal do mar...

A magia da pureza espiritual
Tocando incessantemente a essência
O íntimo da tranquilidade subindo o degrau
Vulcões em atividades navegando ares de paciência

Águas tão calmas e mansas
A paz percorrendo todas as gotas
Aquela velha canção que não se cansa
O elo liberto na paradisíaca rota

As partículas formando novas cachoeiras
Todo o seio acima do amor, o ninho
Óleo nas juntas, sacudindo a poeira
Como bálsamo, cura labirintos e abismos do caminho

Até o impossível nos fez reverência
Nada poderia conter o magma contido
O táctil em cíclica urgência
Inclusive os inimigos se prostraram, vencidos

Novos horizontes para o par de  borboletas
Que das cinzas renasciam e se uniram mais uma vez...
Guerra de flores ecoando nas trombetas
O coração valente, na esperança e fé, assim se fez...

http://youtu.be/xuUE_BWwxjA

sábado, 16 de julho de 2016

Escuridão em plenitude (Caris Garcia)

Escuridão em plenitude
(Caris Garcia)
Ilustração: Teigi Hirae



















O padecimento malévolo e sem rima
Na rua da consternação no ímpio lado
sem alvo, multidão muda, sem mina
O acréscimo seriam casas pretas no tablado

Desalinhados de hipocrisias banais
A nudez e as feridas em carne viva
Não há cura em remédios artificiais
Nas manhãs, o gosto de sangue na saliva

O corpo tentando afetar a mente
Em estágios quase compulsórios
Nada afeta mais as muralhas! Não tente!
A supremacia não vinha do oratório!

A infância é a palavra máxima da utopia
Desmedida, insana coerência de tomos e atos
O confronto da batalha em asfixia
A conclusão já está pronta de imediato!

Em sucessões de embarcadas rotas sem volta
Onde a escuridão, em círculos se transcende
Sem vencedores, nem perdedores. Não há derrota!
Aqui onde a caverna escura apenas se estende

Infinitos anéis se rompendo e aumentando
As castas de gelo e enxofre em fusão
Fonemas mudos se ajustando em um comando
Onde a subtração se glorifica, não há adição!

O próprio medo, em choque se retira
A metafísica alquímica em ordem avança
O mundo parou, nem o tempo mais gira
O passado não fica mais, nem na lembrança

Apenas aquela máxima que jaz
Nas cortinas que subiram lentamente
O fim terminou em aplausos de tanto faz
A palidez não usa máscaras! Venha de frente!

Os véus de aço estenderam seus avanços
A ordem já dada em escalas de cinza e preto
Teoremas da sublimação no ingênuo balanço
a fraternidade da dor alegremente no coreto

Guiados pelos criadores do caos, infinitamente em sua bondade devastadora, a destruição do nada nem faz diferença. Nem um outro ato, se multiplica mais.
A sinfonia perfeita da transição. A.C. e D.C diziam os manuscritos antigos.
Não se ousa mais enfrentar a dor, quando lhe é permitido ser a própria.
Em seu último ato, a caverna se fechou.


https://www.youtube.com/watch?v=oSRk39B6QqQ

https://www.youtube.com/watch?v=d1yfX6VnrSU


terça-feira, 5 de julho de 2016

Postulado da dor e da cura (Caris Garcia)

Postulado da dor e da cura
(Caris Garcia)
Ilustração: Teigi Hirae





















A dor caminha em veredas tropicais e subterrâneas
Chega mansa em devastadora naturalidade
Expande a mente para túneis de agonia contemporânea
O escuro nas sombras da crueldade

Travando razões, emoções e castelos
O santo graal! Para alguns o remédio...
Não há escapatória para universo paralelo
Na escala de cinzas, o tom médio

Para outros, o salto no abismo despretensioso
Em inocente vertigem a se apaziguar com a queda
Envolvente como um abraço caloroso
Passagem direta ao barqueiro sem pagar moeda

Terrenos nobres como um câncer físico no domínio
A se pudesse a dor levar todos os males
Certamente aliviaria um tempestuoso raciocínio
quebraria a tensão pelos ares

E pudesse não deixar sequela alguma
Mas o não , etimológicamente se faz
Percorrendo cachoeiras internas, uma a uma
em desdobramentos contínuos e sequenciais

Tal qual peças de um dominó infinito
Que não cessa até sua última jogada
Ninguém escuta do moribundo seu último grito!
Assume o rei soberano do nada!

Ou até que o sarcasmo dos Deuses sejam alimentados
O não que pertence e faz moradia no oposto
É o sim revigorante quase acanhado
A esperança se entregando ao desgosto

A teia que se desmantela na íris peculiar
que jorra lágrimas do sofrimento
Não há solidão, pois a dor não vai abandonar
A cada dia explora novas terras! Que talento...

Até o nada, o mesmo não seria
Nem de tempos tão remotamente originais
O jogo ali não cessaria
Nem o planeta era conhecido pelos demais

Ou talvez fossem as expedições
que fizeram o desvio nos caminhos
Quiçá encontrasse a graça em "Os sertões"
Ou até nadar com divertidos golfinhos

A essência de cada espécie, a primeira
a jorrar em bicas, as evoluções necessárias
como uma infância roubada, sem brincadeira
Gritos de ordem na avenida ordinária

Foi aí que o joguete começou
Entre a dor, a saudade natal, a vida
Até a ponte sumiu, quebrou
A face nas sombras era abatida

Os vislumbres tão terrenos e pequenos
As necessidades e curiosidades tão previsíveis
na camada submersa entre raças, puro veneno
castas desordenadas, o caos organizado em níveis

"Somos o número dos números!"
E a dor era alucinante... Quem chega?
O elixir, em doses altas do sonífero...
Aquele destilado caseiro que na garganta escorrega

Com aquele ar de quem sabe curar e cura...
E toda a tempestade vai dissipando
A mente devaneando com a bravura
A voz certeira em um só comando

As nuvens exibidas se banhando na paleta
A vegetação toda se agita
Voltam os pássaros, animais, borboletas
A oração feita na praia pelo (o) Jesuíta

As flores revelando o perfume mais atrativo
Aquela paisagem natural humildemente simplista
Não há crivos, teoremas nem comparativo
No topo da meta, o início da lista

Pedras matreiras flertando com capins silvestres
Acenando o adeus para a dor que vai embora
O tom sábio de antigos mestres
Da mesma forma que chega se vai na hora

Pode até deixar saudade nos eleitos
que sentiram sua sombra angelical
Cada um faz a sua travessia de seu jeito
Sempre direta, objetiva e imparcial

Geralmente as pessoas até esquecem dela
Quando são tocadas por algo muito maior
Fadas e vaga-lumes em coro na capela
Místico tom azulado das águas ao redor

Nem as sete irmandades eternas
Tal fenômeno conseguem explicar
Não existe versão mais rupestre na caverna
união de elementos fogo, terra, água e ar

A matriz externa segue a risca
Seu conceito mais trigonométrico
Quem não rouba, apenas o que é seu confisca!
As radiações em pulsos celestiais e eletromagnéticos

A vida una de seres absolutos, atemporais
Livres! No grande sopro originados
Derrama na seiva do universo doces "ais"
Unidos em causas maiores, eternos aliados

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A Batalha ( Caris Garcia)

A batalha
(Caris Garcia)
Ilustração: Teigi Hirae
















Contigo me conecto no universo

na certeza ser este o mais profundo
Mantras tão antigos, baixinho eu rezo
Ponteiro vermelho parado, sem segundos...

O mundo de estrelas vibrando 
Na intensidade feroz desta luz 
Olho aos céus e esbravejo... Quando?
O amor renasce em nós e o leme conduz 

É o toque, a pele e a alma nossa...
O grito de júbilos de vitória 
Na humildade sincera do povo da roça 
Tudo aconteceu bem antes da pré-história...

Das conquistas de dias e noites em trevas
É a bandeira mais alta , alva e pura
Roubamos o paraíso de Adão e Eva
Construímos o castelo com bravura...

No limiar de tantas partidas e chegadas
O reencontro , o amor, o laço 
Era do fogo, medieval, cruzadas 
Mentes forjadas no diamante e no aço...

A fortaleza de muralhas construídas 
Junção peculiar e atemporal 
Território de lírios, espinhos e margaridas
Veja que não é a soma, apenas o total...

O teu agora, o meu presente mais intenso
Tua existência que me conquista, devora
Pegaste de minha mão , único branco lenço 
Radiações do sol na janela do lado de dentro e fora ...

As torres em teu nome erguidas
A esperança que sempre existiu
Neste tabuleiro não há jogo nem saídas 
Nosso planeta, a essência e um rio

O grito de liberdade ao seu lado
O vôo certo, nossas asas unidas
A chuva de meteoros cintilantes, nosso legado...
Lá onde começou a neófita vida  

Horizontes imensos de alegrias
Na história mais angelical, nossa epopéia 
As palavras possam, talvez um dia
Dar uma tênue e rasa idéia 

Que a cada batida do ponteiro
Da força que é o nosso amor...
Fica cada vez mais forte e verdadeiro  
A cada vida, estação, a benção do criador …

PS: Te amo
Ps2: Como eu era antes de você ...
https://www.youtube.com/watch?v=KtHyXILtptk