Musics....

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Imagem Pictórica

Imagem Pictórica
(Caris Garcia)

Andando só um terço do passo
Encolheu-se no cantinho da cama
como quem procura o vaso escasso
e refaz todos os fios da trama...

...

Zelava as perdidas flores da vegetação...
Contemplando a folha que descia lentamente
como um lamento que se pousa ao chão
Percebendo acolá, outro início iminente

...

Reencontra em si o bosque perdido
o paraíso da sabedoria permeável...
um olhar tão íntimo quanto comedido
palavras se calam...Imensurável...

...

a pureza destoando todo o pecado
o veneno alinhavado na cura
o desenho da vida sendo traçado
na simplicidade de toda ternura

...


Quase uma hipnóse nua de significados
uma gravata sem nó, solta, sem uso
deixando na alma o que lhe tem sagrado
e o restante para o caminho profuso

...


O rascunho jamais tocado de um conserto
a penitência da proa do veleiro extraviado
o pensamento que fez nascer o doce ditado
um "nada" tão leve que nem requer enxerto


...

"Difícil é, do que nunca se teve, recuperar
Ainda mais criar o que não se deseja
Remendar a alma num complexo tear
e entregar-se para a vida numa bandeja"

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O peixe e o pescador

O peixe e o pescador
(Caris Garcia)

Homenagem especial aos meus amigos pescadores (de peixe, de esperança, de vida, de alegrias, etc), que tanto me inspiraram, e estão comigo, nessa caminhada da vida, dando algo que guardamos como um tesouro mais precioso na vida: A amizade!

Raphael e Fernanda essa é especialmente pra vocês !! (Essa é a minha maneira de dizer obrigada por fazerem parte da minha vida !)


No início era apenas uma diversão
eu, a vara, a isca, o peixe e o anzol...
meu pensamento fixado no aquático ladrão
e um "causo" chorado na viola em si bemol

a isca não era nem de longe a sua predileta
roubava-me só para esnobar sua esperteza
parecia que com o anzol tinha feito mutreta
mas as histórias no final, eram só de proezas

Depois de algum tempo ter passado
era o peixe, eu, a vara, o anzol e a isca...
o pensamento era de um silêncio abafado
e o manual ao lado, seguido a risca...

A maleta de iscas trazia consigo a diversidade
Contudo não afundara a bóia, tão pouco a linha
com este peixe, quase perdi a amizade
Fui-me embora matutando: "deito-te ainda na farinha"

Desistir jamais! Como todo bom pescador há de ser
Hoje é a isca, o anzol, a vara, o peixe e eu!
o pensamento dentro do mar, para se abastecer
Todavia no fundo do meu balaio, ainda um breu...

Quando retorno pra casa, não volto de mãos vazias
O isopor dos "cumpadi" estão de peixes repleto
para a próxima pescaria, já conto até os dias
E do balanço do mar, por enquanto não chego perto

Volto lá no "tar" do pesque e pague
onde servem minha cerveja e peixe na porção
tenho o meu guarda-sol e os pés firmes no chão
onde a mente se perde, sem fazer ziguezague...

E do enredo aprendi: o que é do mar, lá, deixe...
"nem todo peixe poderá dar na minha praia
pois na minha praia só prospera o meu peixe
que do meu anzol e isca, será eterna cobaia...

De nada adianta um balaio do "dito" forrado...
prefiro é viver sem o peixe daquela "ciência"
deixo o coração, aqui dentro do rio talhado...
Ensinando-me o voto de silêncio e muita paciência..."