Musics....

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O enigma da sexta flecha (Caris Garcia)

O enigma da sexta flecha
(Caris Garcia)
Ilustração Teigi





















A orquestra do universo tocava
O coral inteiro estava reunido
A nota perfeita, a oitava
O olhar pausadamente agradecido...

A porta estava aberta às três e trinta
Se via a chave apenas na luz do luar
O portal da alma cansada, quase extinta
Que conduziu trovões e se atirou em alto mar...

Seguindo, de Ariadne, o Fio de ouro
Entregue em sintonia reluzente
Descobriu seu verdadeiro tesouro
E fez de Dante, seu confidente...

Em notas escritas apenas no rodapé
De um Livro feito de folhas de outono
Andou sobre brasas mornas de Nova Guiné
Uma estrela cadente sem pátria, nem dono...

Na Astrologia de signos siameses
Hermes abençoava duas unidas mãos
Passaram-se horas, dias, meses...
O destino traçado na sonhada constelação

Jung questionava com pesar os céus
E mesmo com a melancolia presente
Foi caindo lentamente todo o branco véu...
O choro guardado, a emoção entorpecente...

As Lágrimas do tempo jamais apagarão
O sair da caverna no inverno incandescente
Em jardins naturais inexplorados a visão
A cura milagrosa e divina para o doente...

Onde calendários vieram destruídos
A pedra fundamental deste reino erudito
Sem bússolas, sem luz, sem ruídos
Acompanhada pela vela e antigos manuscritos

Ao som das asas de 1999 borboletas
Brincando umas com as outras na inocência
Não há força maior em nenhum planeta
O mistério mais antigo da existência...

Grilos e corujas fazendo parte da sinfonia
Enquanto gotas de chuva declamavam
Elementos fundamentais para nossa alquimia
Enquanto órbitas celestes se alinhavam...

Uma suave e pura poesia nascia
A agulha tocava o disco antigo
Muito maior que qualquer energia
No dilúvio encontrou único abrigo ...

O som se esparramava como ecos no além
A melodia era orquestrada em melancolia
A voz em sussurros roucos, dizia "Vem..."
“Despertas! Irás retornar por mais um dia...”

E em acordes afinados de um velho violão
Arranhando notas de loucura e tristeza
Manchando assoalhos na cega direção
Contra essa força não existe defesa...

Futuro, presente e passado se fundiram
No balé do tempo entre as dimensões
Choraram, sofreram, sorriram...
A barca sendo levada sem tripulações

O ponteiro sofria mas não andava mais...
O coração parou... E oito minutos depois, voltou a bater...


https://www.youtube.com/watch?v=CcflwUYYoXk

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O enigma da quinta flecha (Caris Garcia)

O enigma da quinta flecha
(Caris Garcia)
Ilustração Teigi


















Se busco a escuridão nada vejo
Se me banho na luz os olhos não tenho
Procuro o retiro no antigo vilarejo
Alguém me explique esse engenho!

Assombrada pelos pensamentos do elo da verdade
Onde se faz justo cada ponto
Procuro respostas em livros da antiguidade
Julio Verne diz: Atravesse a ponte teu caminho está pronto!

“Trocando a mina de diamantes
Para me embebedar na pura nascente”
Percebo que o centro da terra é mais adiante
E a viagem no balão é sem precedentes

O universo manda sinais fora da razão
Comento apenas com nobre e honrada pureza
Sofrendo com a temperatura da estação
Ponho todas as cartas na mesa...

A reprimenda que logo recebo...
As dúvidas que só arrebentam o peito
É na fonte viva que eu bebo...
Não fujo da minha natureza, não há jeito...

O que pasmo são estranhas coincidências... 
Mas se não existem, o que me surpreende?
Algum tipo de magia, clarividência?
Marcel Proust responde: Transcende!

“Não está em novas paisagens, ele disse
Ver com olhos novos, nova perspectiva”
O tempo é valioso, não o desperdice
Descubra o mistério em luz criativa!

Em cada linha e em cada verso se sustenta
A veracidade de cada letra escrita
Nada se compara a esta tormenta
Nunca se deparou com tal fenômeno, admita!

Servindo-se da vela, papel e caneta de pena
Em folhas pelo tempo amareladas
Procuro a paz interna e serena
É a minha vez nesta rodada...

O dom que me cobra os impostos
“Escreva antes do sol e seu nascimento”
Pelo tato conheço a alma não o rosto
Não há atuações neste pensamento

No vazio das sombras que tateio
O entendimento me abandona...
Entrego a carta no correio
Sem norte adormeço na Sinfonia Nona...

Vejo e não compreendo, tal a cegueira que me domina


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O enigma da quarta flecha (Caris Garcia)

O enigma da quarta flecha
(Caris Garcia)
Ilustração Teigi



















A sabedoria é a meta principal

A busca incessante dessa jornada
A aplicação no cerne existencial
A balança, o livro e a espada 

Na honra de analisar o presente 
A felicidade de aprender dia após dia
O pássaro em nuvens reluzentes
Sem conhecimento, o que adiantaria?

O desejo de ascensão evolutiva 
O que me define são as escolhas 
A força motriz focada na azul locomotiva 
No entendimento reflexivo do balanço das folhas

A soma dos conhecimentos em grau de qualidade
Não basta ler tudo aqui e acolá
A verdade se oculta dentro de tempestades
A anatomia da solução que encontrará...

Na divisão dos tomos em frequência 
O som que não pode ser ouvido
O alerta de estar mesmo na ausência 
O suave levantar depois de ter caído 

Há beleza nos raios e trovões 
Basta saber olhar a divina essência
No núcleo gentil das várias opções 
O tempo acaba! Tenho urgência...

Assim como o orvalho beija a terra
E percorre o submundo de túneis ocultos
Roubando as lições das antigas guerras
Correndo pelas florestas o pálido  vulto

Na pressa de chegar antes do sol nascer 
Se esconde dentro de sua caverna
Renasce para logo depois morrer
Parte na lembrança da união eterna

A promessa e as juras feitas 
O paraíso descoberto em cama de flores
A fonte natural na trilha estreita
A paz que nasce por peculiares sabores

As gotas cúmplices de nossas cachoeiras
Nos abraços ternos que entregaste
No calor febril de suas lareiras 
A bandeira, o anel e a haste

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O enigma da terceira flecha (Caris Garcia)

O enigma da terceira flecha
(Caris Garcia) 
Ilustração Teigi





















Mariposas ao chão pousadas
A tropa de selvagens corcéis
A metamorfose das antigas jangadas
Seu navio mercante, meus anéis

Trilogia de submersos canais
Tribo dos dilúvios da constelação
Desembarcam na pirâmide do seu cais
A guerra de anjos e o dragão

Marchas que retornam ao mesmo lugar
Ali, onde a moeda foi jogada
A promessa repetida sem cessar
Peregrinos sem descanso nem pousada

No poço fundo das lamentações
Na resposta errada para a pergunta
No dorso de exércitos de leões
O óleo sacro na terceira visão unta

Das possibilidades ao infinito
A etérea mistura que não se esconde
Na arte que expressa apenas um grito
O puro coração ? Onde ? Onde ? ...

 Revela sua face ao cosmos milenares
Convoca, conjura e é respondida
Povoando de melodia dimensões e os ares
Neste labirinto não há saídas

Milhares de abelhas para a colmeia
Tudo foi tocado, a estrutura inteira
O elemento chave é a filha de Hermes, Medeia
A epopeia contada na sombra da clareira

O caminho é o mesmo, o passageiro não
Selos quebrados em juras desfeitas
o néctar roubado na essência da negação
Aguarda temeroso a próxima colheita

O que esperar da mistura tão antiga
Alquimia e fórmulas cravadas em rochas
Nos troncos foram gravados nossas cantigas
Festivais de cântaros, tambores e tochas

Morrer é viver na bravura de todos os segundos
No ato de coragem que é respirar
Um passo de cada vez... Avante! Próximo mundo
Que venham os elementos fogo, água, terra, ar...

O compasso dessa dança, só eu que faço
Eu sou você. Você sou eu.

https://www.youtube.com/watch?v=a7vJll8N8Yc

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O enigma da segunda flecha (Caris Garcia)

O enigma da segunda flecha
(Caris Garcia)

Ilustração Teigi





















Caminhando em nuvens doces de algodão
Desprendendo-se de tudo o que contraria
Afrodite entrega o néctar da reflexão
A mistura do tato e da telepatia

Ultrapassando do impossível os limites
a verdade da simbiose fica tão clara
Não existem receios, acredite!
Até diamantes no lodo tem a beleza rara

No reino de impossibilidades infinitas
Onde se abandona velhos conceitos
Os manuscritos do mar, hoje cita...
O caminho é sempre único e estreito...

A variação dos dialetos correspondentes
Em sincronia com um universo de descobertas
Traz os anjos como confidentes
Deixando muralhas completamente abertas

O enredo de cada passo se fortalece
Medos não fazem parte dessa festa
O reencontro abraça e agradece...
O universo criado na magia da floresta

Antes que o mundo feche a porta
A natureza de todas as vidas, vê o paraíso
Somos passageiros, é isso que importa
Sem perdas na jornada, nem prejuízo...

O cálice oculto das proezas da busca
Onde o sacro manto é apresentado
A luz que ninguém ofusca
Não há como controlar o tornado...

Parte sua, parte minha
Na fonte sagrada que nos banhamos
Sob olhar de seu mestre, da minha fada madrinha
Neste planeta acordamos...

A virtude incendeia a entrega
o mensageiro se apressa no caminho
A energia reluzente da verdade cega
Acionem todos os fortes moinhos !

Se distrai com borboletas brancas
Aquele segundo que se perdeu
Abrem-se os portais, retira-se as trancas
As conversas secretas do coliseu...

Não é a força da mensagem recebida
E sim o que foge da compreensão
Há mistério maior que a vida ?
A alma diz sim, a razão diz não

Aquilo que não está, estando...
Bem ali, no espelho, do outro lado
A alma que ainda está reconsiderando
Preto e branco é nosso tablado


Quem sou eu ?  Quem é você ?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O enigma da primeira flecha ( Caris Garcia)

O enigma da primeira flecha
(Caris Garcia) 


Ilustração Teigi















E talhado em uma árvore milenar, o aviso aos viajantes:

"...Derramo aqui, na extensão do caos organizado
A percepção extra-sensorial
de sentidos não explorados...
Toque sem tocar...
Veja sem olhar...Sinta...
Ampliem vossos braços..."

...Entregue aos braços de Morpheu...
Serpentes translúcidas em fluídicas luzes
ouvindo o universo de Galileu
as previsões do candelabro... Abuse!

Acalentam o caminho revestido de sutis frequências
onde Grian nos dá boas vindas...
Hortênsias multicores liberam suas essências
A liberdade solta que com a natureza brinda


Ouça meu canto, a melodia muda...
que chega em correntezas oceânicas não exploradas
Libertando camadas...  Lilith nos saúda...
nas profundezas das consciências elevadas

 Ciclos intermináveis e enigmas tão densos
atendendo de prontidão ao meu chamado
volto a existir em outros planos e penso
lanço nas brisas as ondas em tom rosado

com o poder que só os que transcendem os sentidos
poderiam um dia compreender a terça parte
aprofundar-se-iam rumo ao desconhecido
ao entrar no mundo das infinitas artes...

Mesmo com 108 flechas voando em minha direção
Vejo que o vazio  não existe
Aprofundo os ensaios sobre a visão
Se vou continuar ? Assiste...
  
Mergulhando nos portais dos segundos
Ouço o diálogo de Diderot e o cego
Pela boca de um louco moribundo...
...É nestes teus milagres que trafego...

Exércitos contra.... Um tom tão desafiador
Temos o mesmo fluído inatingível e primitivo...
De origem tão remota... Maior até que o amor...
Impossível se contabilizar algo tão explosivo...

Tu carregas a minha força, minha cura...
E até para seus disparates mais sombrios 
Entrego meu enigmático sorriso de travessura
Somos um tronco único...Só a ti me confidencio

O cansaço e a dor são apenas distrações
De que serventia mais teriam?
Lágrimas? Adiantariam...?
Guarde a saudade para findar no rio das emoções.
  
O segredo da esfinge permanece guardado
Armazenando suavidade para nosso futuro
Nosso encontro nas ruas de El Dorado...
Eu e você... O ritual mais puro...
... 

Por fim quando desdenhosamente
Atrevo me a olhar anjos caídos
E estrelas cadentes de elos perdidos...
Ainda assim vejo você... Sol onipotente...



https://www.youtube.com/watch?v=AJtDXIazrMo