Musics....

segunda-feira, 9 de março de 2015

Asas da liberdade (Caris Garcia)

Asas da liberdade
(Caris Garcia)

Asas da liberdade fugidia
Que do lamento e sofreguidão
Amassou a carta de alforria
Virou no avesso o brasão...

Amparo da lágrima sombria
Nem se quer pensou, apenas partiu 
Uma pena do céu repousou na calmaria
Anjo que chega pertinho e sussurra...Psiu...

Abrindo as aladas penas deslumbrantes
Derramou um segundo da existência
Céus rosados de verbos e paradigmas gigantes
Pontos finais na metamorfose das reticências

Olhar atônito sobre a graça e o oposto
A beleza do paraíso tardio que ali já esteve
Todos no mesmo lugar, a memória, o rosto...
Ah... Aquele olhar...O impulso reteve...

Os braços, no outro, mergulhados
Como abraços se acomodando no ninho
Esqueceu de tudo, entregou o ombro cansado
Naquele instante entendeu... Nunca esteve sozinho...

Quente o conforto, o alívio divinal
A felicidade iluminada por trombetas
Em cada alma, metade de uma digital...
Fechou o olho, abriu o casulo...Voa livre a borboleta...

O reencontro mais que merecido
A esperança que a vida continua
Alívio ao coração e peito ferido
Mente entregue... Alma nua...

No apelo das lembranças do passado
Nascendo num futuro tão distante
Alicerce das gerações ao lado
As lições da comédia de Dante...

A conversa sem eira nem beira
Os segundos da tua presença requisitada
O valor de cada vírgula, a sílaba tão caseira...
"Posso ouvir teu coração em qualquer dimensão...
Do outro lado do mundo...em qualquer estrada..."



domingo, 8 de março de 2015

Noite em dia... (Caris Garcia)

Noite em dia... 
(Caris Garcia)

Dias que a escuridão se aproxima
Quando a noite vira o abismo viscoso
O dia sem brilho, a poesia sem rima
O ar denso em flerte ao clima misterioso

Respirar? Nenhuma possibilidade!
Pés na movediça areia dos vermelhos mares
Desvendando toda a complexidade
Do mistério da vida e seus pilares

Firmamentos em vão da loucura de existir
Transformando o chão de vitórias em derrotas
Agora nem restará o ato de dormir
O pesadelo noturno lhe fará chacota

O seguir das bússolas sem ponteiro
Que jogam você para a face oculta da lua
Balas e almas perdidas nos tiroteios
"Engole! Cresça! Apenas evolua..."

Numa noite sem estrelas nem segundos
Pares destroçados pela iniquidade
Paralelo, entrelaçado, próximo, o teu, o meu, mundo...
A tua luz, minhas trevas...O oposto do avesso da infinita atividade!

Distantes por abismos de dívidas contraídas
Renascidos da esperança que já nasce em luto
Quando a única estrada é a tua rua sem saída
O cantor principal da minha ópera é mudo...

Ai, desses dias que já nascem abortados
Rodopiando nas esquinas da sofreguidão
Velando as estrelas que partiram sem adeus...

E o sol vem pela manhã, com megatons abençoados...
Distribuindo o "sim", curando o "não"
Renascendo para burgueses e plebeus...