Musics....

domingo, 29 de agosto de 2010

Luz à consciência

Luz à consciência
(Caris Garcia)

Retorno a estrada sinuosa a minha frente
quase uma mistura em preto e branco
a neve tomando conta do ambiente
reforçando ainda mais o gélido pranto

Sinto medo em seguir avante
mas continuar é necessário
após passar da porta brilhante
impossível permanecer sedentário

passos de extrema cautela
não vejo ainda o destino final...
as pernas em direção a cidadela
uma força bruta, quase anormal...

Aqui é muito baixa a temperatura
o frio cumpre o destino mais implacável
Esvazio do peito tanta amargura
Vejo a árvore, pela morte, a responsável

Aproximo-me lentamente
Meu coração se acelera
eu era só uma adolescente
mas vivia fora da atmosfera

vou tendo consciência dos fatos
as lembranças aparecem em minha mente
Tudo ficara em anonimato...
Como desejaria viver novamente!

lembro da família e da infância,
dos brinquedos e brincadeiras
das comidas da avó em abundância
dos risos sem eira, nem beira...

Ah divina árvore...Estou aqui, ao seu lado...
experimento uma tristeza tão profunda
é a primeira vez que exponho o machucado
Meu choro supliciado pedindo a tua ajuda...

Outros sofreram com a minha ação
Lastimando a minha repentina partida...
clamo ao teus pés a minha absolvição
Dá-me a tua doce e suave acolhida

Foi tão rápido o acidente
Era para eu estar ali? Não...
Mas minha atitude displicente
Causou a desmedida confusão...

As inconseqüências são atos
que voltar atrás, não podemos...
Alguém havia me alertado
mas o remate foi sucumbir ao extremo

Agora, após passado tanto tempo
a mim mesmo, perdoar é preciso...
Deixar de lado todo o acontecimento
e encarar de frente o prejuízo...

Continuar nessa pequena estrada
será apenas, o passo primeiro...
na bagagem a jornada desperdiçada
e a sede de vida, do guerreiro...

Não caço sozinha esta nova chance
E a esperança alumia minha alma
Ainda verei na estrada, de relance
Primavera forte, livre do trauma...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PACTO DOS DEUSES

Pacto dos Deuses
(Caris Garcia)

Pontava no céu, a madona avermelhada
a energia da cidade inteira apagada...
chamavam às janelas, os românticos amantes
e nas mãos, o champagne, sedutor espumante...

nas ruas escuras não se via ninguém...
o afinado violino, sussurrava baixinho
a sonata suave, chorava a vida de alguém
e juras de amor eram escritas no pergaminho...

Beijava-lhes a fronte, a nuvem baixa
a noite prometia, era simples e suprema
o seresteiro já pegava o sapato e a graxa
e arranhava as cordas para um novo poema

Os casais se atiravam na marota vadiagem
Quase um arco-íris noturno...Vívida aquarela!
uma sede jamais vista, quase selvagem
o jantar romanesco, à dois, a luz de velas

Zeus e Afrodite, o amor em irradiação
Nenhuma data transbordava tamanho encanto...
duas almas se encontrando, a inocente e o vilão
na lua pactuaram aliança, e ergueram seu recanto...

sábado, 21 de agosto de 2010

A Comédia ! Divina...

A Comédia ! Divina...
(Caris Garcia)

Eis no sebo, o teu livro antigo...
Exatamente onde disseram que estaria
Retorno ao caminho, meu mestre amigo
E farei das letras a doce artilharia

Tuas imagens envelhecidas dizendo tudo
As palavras o consagram: O rei dos reis!
Passarei a vida toda em teu estudo!
Releio ainda "O Paraíso", Canto vinte e seis...

Esta tua grandeza tão inocente e articulada...
que me empurra aos penhascos, em livre queda
As asas ainda verdes se abrem despreparadas...
a doce liberdade do horizonte em linha reta

Traço tão imaginário quanto a aurora...
...de teus travessões em estágios sucessivos
Neste ritmo constante, sem demora...
Do auge ao delírio dos superlativos...

Dois pássaros em um galho único
Compartilhando ali, apenas o presente
Explode o fogo do verbo vulcânico
Tudo na "...Comédia" é absorvente"

domingo, 15 de agosto de 2010

PS: te amo

PS: te amo
(Caris Garcia)

Mesmo quando tenho infundados pensamentos
A mente viaja à lugares tão distantes
A descrença invade em pesares de tormentos
a vida inteira parece flashes agravantes

tudo tão longe de mim
Ainda assim...estou pensando em ti

Em minha própria masmorra me trancafio
um grito indescritível sai da garganta
ouvir o som da minha voz, um desafio
deixo-me congelar e morrer sem tua manta

Gestos desesperados, esperando que só tu me ouças...mais ninguém...
mesmo ali... onde as idéias me escapam...estou pensando em ti...

Os anseios extrapolam do equilíbrio a linha
A loucura brinda a taça do caos com a sanidade
quando os caminhos mostram os rumos que eu tinha
mesmo sem nenhuma indicação de eternidade...

mesmo indecisa...sem saber para onde correr...
minha mente corre para ti...

No momento que guerreiam meus anjos e demônios
o oxigênio simula a ausência de um guardião
nada existe no limitado, nem odiosos princípios
Disperso, finge não se importar, meu coração ancião

Velho e novo, cansado e renovado, sabes que é só teu

Nas pedras medievais, leia minhas marcas profundas
deixo um nota insignificante de rodapé aos imortais
reorganizo tudo, mas me deixo sempre pra segunda
a alma no fundo da cova, não para de brilhar jamais

mesmo em melancolia intensa...onde as lágrimas nem chegam perto...
meu olhar mais doce...transparece só...para ti...


PS: te amo