Musics....

sexta-feira, 19 de novembro de 2010



Parques abandonados
(Caris Garcia)

Tantos trilhos enferrujados
sonhos de muitos...hoje de ninguém
anjos em ritmos lentos e alucinados
fuga ao precipício do bem

alegrias outrora divertidas...
margens da fonte do abandono
tristeza ao léu... sem dono
resgate sem salva-vidas...



passageiros do além abstraído
bancos cheios...da inebriada ilusão...
a face reclinada ao colorido batido
a faceta da beleza mórbida da aberração

histórias completas e destruídas
de uma neblina que jamais cessa...
da lágrima que nunca seca...
da amargura despedaçada em ruínas...



O aroma da ferrugem e folhagem
o parque e a floresta na espera...
sem o ingresso de ida nesta viagem
paisagem que a dor tanto venera

Tantas voltas gigantes o mundo gira
esperando o retorno do laço rosa, a tira
que prometera com olhar brilhante e fala singular
"um dia voltarei,para em ti minha criança deixar..."



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Imagem Pictórica

Imagem Pictórica
(Caris Garcia)

Andando só um terço do passo
Encolheu-se no cantinho da cama
como quem procura o vaso escasso
e refaz todos os fios da trama...

...

Zelava as perdidas flores da vegetação...
Contemplando a folha que descia lentamente
como um lamento que se pousa ao chão
Percebendo acolá, outro início iminente

...

Reencontra em si o bosque perdido
o paraíso da sabedoria permeável...
um olhar tão íntimo quanto comedido
palavras se calam...Imensurável...

...

a pureza destoando todo o pecado
o veneno alinhavado na cura
o desenho da vida sendo traçado
na simplicidade de toda ternura

...


Quase uma hipnóse nua de significados
uma gravata sem nó, solta, sem uso
deixando na alma o que lhe tem sagrado
e o restante para o caminho profuso

...


O rascunho jamais tocado de um conserto
a penitência da proa do veleiro extraviado
o pensamento que fez nascer o doce ditado
um "nada" tão leve que nem requer enxerto


...

"Difícil é, do que nunca se teve, recuperar
Ainda mais criar o que não se deseja
Remendar a alma num complexo tear
e entregar-se para a vida numa bandeja"

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O peixe e o pescador

O peixe e o pescador
(Caris Garcia)

Homenagem especial aos meus amigos pescadores (de peixe, de esperança, de vida, de alegrias, etc), que tanto me inspiraram, e estão comigo, nessa caminhada da vida, dando algo que guardamos como um tesouro mais precioso na vida: A amizade!

Raphael e Fernanda essa é especialmente pra vocês !! (Essa é a minha maneira de dizer obrigada por fazerem parte da minha vida !)


No início era apenas uma diversão
eu, a vara, a isca, o peixe e o anzol...
meu pensamento fixado no aquático ladrão
e um "causo" chorado na viola em si bemol

a isca não era nem de longe a sua predileta
roubava-me só para esnobar sua esperteza
parecia que com o anzol tinha feito mutreta
mas as histórias no final, eram só de proezas

Depois de algum tempo ter passado
era o peixe, eu, a vara, o anzol e a isca...
o pensamento era de um silêncio abafado
e o manual ao lado, seguido a risca...

A maleta de iscas trazia consigo a diversidade
Contudo não afundara a bóia, tão pouco a linha
com este peixe, quase perdi a amizade
Fui-me embora matutando: "deito-te ainda na farinha"

Desistir jamais! Como todo bom pescador há de ser
Hoje é a isca, o anzol, a vara, o peixe e eu!
o pensamento dentro do mar, para se abastecer
Todavia no fundo do meu balaio, ainda um breu...

Quando retorno pra casa, não volto de mãos vazias
O isopor dos "cumpadi" estão de peixes repleto
para a próxima pescaria, já conto até os dias
E do balanço do mar, por enquanto não chego perto

Volto lá no "tar" do pesque e pague
onde servem minha cerveja e peixe na porção
tenho o meu guarda-sol e os pés firmes no chão
onde a mente se perde, sem fazer ziguezague...

E do enredo aprendi: o que é do mar, lá, deixe...
"nem todo peixe poderá dar na minha praia
pois na minha praia só prospera o meu peixe
que do meu anzol e isca, será eterna cobaia...

De nada adianta um balaio do "dito" forrado...
prefiro é viver sem o peixe daquela "ciência"
deixo o coração, aqui dentro do rio talhado...
Ensinando-me o voto de silêncio e muita paciência..."

domingo, 19 de setembro de 2010

AS FRONTEIRAS DO AMOR

As fronteiras do amor
(Caris Garcia)

Naquela manhã o raio de sol era sublime
ao redor, um oceano de coloridas flores
o universo inteiro pertencia ao mesmo time
exalava primavera em todos os arredores

Pássaros azuis se divertiam no galho farto
Era a manhã que nascera quase perfeita
as grutas, montanhas e árvores, nosso quarto
Em todas as estações, era farta a colheita

Um dia que o mundo sorria para todos
eu corria descalça pelos campos floridos
testemunhando o nascimento de vários brotos
Feliz pelos cestos sempre abastecidos...

Sedenta de sentir a terra me invadir
e ser parte daquela natureza perfeita
o amor nascera em mim ao vê-lo sorrir
e ao seu lado não havia esquerda nem direita

Transformou-me como ninguém havia feito
completou-me tal, que dentro de mim não cabia
Coração puro entregando-se ao amor perfeito
enamorados inocentes, brincando dia após dia

No alto das colinas o mirei chegando
a felicidade se irradiava em meu peito
mas pela modo como seu olhar era desfeito
Uma pontada e o medo se multiplicando...

Você correu para mim e me abraçou forte
Como se fosse a última vez que o faria
A carta de convocação da guerra, o passaporte
Algum setor militar, escrito artilharia...

Antes de partir, uma jóia lhe entreguei
um broche antigo, na família estava há gerações
Gravado nele "da doce rainha para seu único rei"
"Volta para mim !" Foram minhas recomendações...

Infelizmente mais tarde a sina se cumpriria...
Perdidos olhares atravessando os tempos e as fronteiras...
A Guerra nos separara. O guri ficou sem a sua guria...
E os inimigos invadiram a terra, perdoando só a videira...

Invadiram nossa casa, e nela fizeram moradia
Sob a mira do inimigo, me puseram a lhes servir
Atos e gestos de intensa e agonizante covardia
Mas nada eu sentia, era impossível minh'alma agredir

Mesmo que a dor de sua ausência fosse elevada o suficiente
Todas as madrugadas, antes mesmo do sol despertar
eu corria para a colina e enviava-lhe o amor sobrevivente
Na esperança que algum dia, você, para mim pudesse voltar...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Postulado da tristeza

Postulado da tristeza
(Caris Garcia)

Envolve tudo e nada ao mesmo tempo
Algo que engloba a vida como um todo....
O sopro deveras fosse turbulento
a estrada, quem dera fosse lodo...

Junta todos os amores não vividos
e as paixões que faltaram coragem...
A melancolia de um choro já banido
Talvez tão denso quanto à própria bagagem...

Como tantas outras, sempre a mais pesada
Até as pétalas desmaiam com algo tão forte
Roubam da sabedoria a tristeza na alma soldada
Não se viu ainda dor assim, neste porte...

Gotas do próprio sumo do abatimento
um poder com maior autenticidade
Narrar, da infelicidade, o testamento
e quebrar os tabus da barbaridade

Na exploração deste enredo sem precedentes
Descarrega-se a morte dos sonhos adocicados
de lugares saudosos jamais visitados
em uma estagnação deveras ascendente

Das ruelas de outrora sente-se até o cheiro
o barulho antigo que no local circundava
lembranças remotas da vida do barqueiro
que na areia movediça seu azar ainda cava

De tão abstratas brotam concretas percepções
que declamam um amaldiçoado vazio interno
Que massacram os momentos de privações
quase um abraço ao precipício tão fraterno

Música perturbada, das almas e seus lamentos
A calma e a frieza da luz ali enterrada
Apenas o olhar que perdeu o seu sustento
A certeza que o brilho perdeu-se da estrada

A tesoura rente na corda bamba de ais
é a tristeza da descrença de um jamais...
Quiçá para valorizar a tal da alegria
Ou para a mente recordá-la de noite e de dia

indescritível a falta de força deste desânimo
Tal qual um leão se recolhendo em sua cova,
pressentindo o último sono magnânimo
traria o peso da saudade como prova


No oceano da alma se oculta a caixa preta
que não desenha marcos, nem mais caminha
Recolhida suas asas cinza, outrora borboleta
a estaca em seu peito, sua fada madrinha

Exaustivo até tentar aqui descrever
o que o passado ensina sobre esta guerra...
aprende-se a vencer as batalhas do mundo
menos a própria, que a aflição encerra...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MINUTO DA FELICIDADE

Minuto da Felicidade
(Caris Garcia)

Às vezes a felicidade viaja como uma brisa
perdendo-se em janelas e portas abstratas
marcando as suas evoluções de marota baliza
com o sangue destemido de um antigo pirata

E mais uma vez nos encanta e nos conduz
em mundos tão desconhecidos, tão surreais
Revela-se à todos e a ela ninguém faz jus
deixa em cada vírgula a sentença dos imortais

Embora desapareça, assim que os olhos se abrem...
e tenha plena consciência de todo o processo...
Acumula e distribui sua particular aprendizagem
deixa todo o certo no caos do rés avesso

Mesmo que depois nos abandone sutilmente...
Difícil resistir...Afundamos em sua caravela
Com o sorriso no rosto e a juventude veemente
Nada lhe pertence, e tudo faz parte dela...

Na escuridão do oceano suas lágrimas aparecem
De tanto contê-las, se misturam em águas e sais
Restando, só, viver... Mesmo sem menos ou mais...
em estradas geométricas rodeadas por baixa voltagem...

Lá desaparece a noção de certo e errado...
E a razão não faz mais sentido algum...
Como companhia só o fiel cavalo alado
a soma é sempre zero e o infinito um...

Tão divertido quanto misticamente poético
o sentimento simples deixa de existir...
Para o mundo, um olhar permanente e cético
Nada lhe devolve seu único e doce elixir...

Permanece apenas o vazio da morte em vida...
E Então a tristeza acampa em entranhas ocultas
A mente é deixada à mercê de seu abraço homicida
Anjo e demônio em exaustiva e eterna disputa

domingo, 29 de agosto de 2010

Luz à consciência

Luz à consciência
(Caris Garcia)

Retorno a estrada sinuosa a minha frente
quase uma mistura em preto e branco
a neve tomando conta do ambiente
reforçando ainda mais o gélido pranto

Sinto medo em seguir avante
mas continuar é necessário
após passar da porta brilhante
impossível permanecer sedentário

passos de extrema cautela
não vejo ainda o destino final...
as pernas em direção a cidadela
uma força bruta, quase anormal...

Aqui é muito baixa a temperatura
o frio cumpre o destino mais implacável
Esvazio do peito tanta amargura
Vejo a árvore, pela morte, a responsável

Aproximo-me lentamente
Meu coração se acelera
eu era só uma adolescente
mas vivia fora da atmosfera

vou tendo consciência dos fatos
as lembranças aparecem em minha mente
Tudo ficara em anonimato...
Como desejaria viver novamente!

lembro da família e da infância,
dos brinquedos e brincadeiras
das comidas da avó em abundância
dos risos sem eira, nem beira...

Ah divina árvore...Estou aqui, ao seu lado...
experimento uma tristeza tão profunda
é a primeira vez que exponho o machucado
Meu choro supliciado pedindo a tua ajuda...

Outros sofreram com a minha ação
Lastimando a minha repentina partida...
clamo ao teus pés a minha absolvição
Dá-me a tua doce e suave acolhida

Foi tão rápido o acidente
Era para eu estar ali? Não...
Mas minha atitude displicente
Causou a desmedida confusão...

As inconseqüências são atos
que voltar atrás, não podemos...
Alguém havia me alertado
mas o remate foi sucumbir ao extremo

Agora, após passado tanto tempo
a mim mesmo, perdoar é preciso...
Deixar de lado todo o acontecimento
e encarar de frente o prejuízo...

Continuar nessa pequena estrada
será apenas, o passo primeiro...
na bagagem a jornada desperdiçada
e a sede de vida, do guerreiro...

Não caço sozinha esta nova chance
E a esperança alumia minha alma
Ainda verei na estrada, de relance
Primavera forte, livre do trauma...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PACTO DOS DEUSES

Pacto dos Deuses
(Caris Garcia)

Pontava no céu, a madona avermelhada
a energia da cidade inteira apagada...
chamavam às janelas, os românticos amantes
e nas mãos, o champagne, sedutor espumante...

nas ruas escuras não se via ninguém...
o afinado violino, sussurrava baixinho
a sonata suave, chorava a vida de alguém
e juras de amor eram escritas no pergaminho...

Beijava-lhes a fronte, a nuvem baixa
a noite prometia, era simples e suprema
o seresteiro já pegava o sapato e a graxa
e arranhava as cordas para um novo poema

Os casais se atiravam na marota vadiagem
Quase um arco-íris noturno...Vívida aquarela!
uma sede jamais vista, quase selvagem
o jantar romanesco, à dois, a luz de velas

Zeus e Afrodite, o amor em irradiação
Nenhuma data transbordava tamanho encanto...
duas almas se encontrando, a inocente e o vilão
na lua pactuaram aliança, e ergueram seu recanto...

sábado, 21 de agosto de 2010

A Comédia ! Divina...

A Comédia ! Divina...
(Caris Garcia)

Eis no sebo, o teu livro antigo...
Exatamente onde disseram que estaria
Retorno ao caminho, meu mestre amigo
E farei das letras a doce artilharia

Tuas imagens envelhecidas dizendo tudo
As palavras o consagram: O rei dos reis!
Passarei a vida toda em teu estudo!
Releio ainda "O Paraíso", Canto vinte e seis...

Esta tua grandeza tão inocente e articulada...
que me empurra aos penhascos, em livre queda
As asas ainda verdes se abrem despreparadas...
a doce liberdade do horizonte em linha reta

Traço tão imaginário quanto a aurora...
...de teus travessões em estágios sucessivos
Neste ritmo constante, sem demora...
Do auge ao delírio dos superlativos...

Dois pássaros em um galho único
Compartilhando ali, apenas o presente
Explode o fogo do verbo vulcânico
Tudo na "...Comédia" é absorvente"

domingo, 15 de agosto de 2010

PS: te amo

PS: te amo
(Caris Garcia)

Mesmo quando tenho infundados pensamentos
A mente viaja à lugares tão distantes
A descrença invade em pesares de tormentos
a vida inteira parece flashes agravantes

tudo tão longe de mim
Ainda assim...estou pensando em ti

Em minha própria masmorra me trancafio
um grito indescritível sai da garganta
ouvir o som da minha voz, um desafio
deixo-me congelar e morrer sem tua manta

Gestos desesperados, esperando que só tu me ouças...mais ninguém...
mesmo ali... onde as idéias me escapam...estou pensando em ti...

Os anseios extrapolam do equilíbrio a linha
A loucura brinda a taça do caos com a sanidade
quando os caminhos mostram os rumos que eu tinha
mesmo sem nenhuma indicação de eternidade...

mesmo indecisa...sem saber para onde correr...
minha mente corre para ti...

No momento que guerreiam meus anjos e demônios
o oxigênio simula a ausência de um guardião
nada existe no limitado, nem odiosos princípios
Disperso, finge não se importar, meu coração ancião

Velho e novo, cansado e renovado, sabes que é só teu

Nas pedras medievais, leia minhas marcas profundas
deixo um nota insignificante de rodapé aos imortais
reorganizo tudo, mas me deixo sempre pra segunda
a alma no fundo da cova, não para de brilhar jamais

mesmo em melancolia intensa...onde as lágrimas nem chegam perto...
meu olhar mais doce...transparece só...para ti...


PS: te amo

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O postulado da solidão (Caris Garcia)

O postulado da solidão
(Caris Garcia)

O êxtase lírico em profundidade...
O abalo do sentimento deveras oculto
O sol se despedindo em tom escarlate
No alto da montanha, o ser absoluto

Sem razões para sorrir ou chorar
Nenhuma nota a ser lida no rodapé
Somente a passagem Inca é subliminar
Sendo o efeito apenas o que de fato se é...

Ah...Hoje, só desprovidos fragmentos...
Amanhã certamente estrofes peculiares!
O natural adágio do ambiente sonolento
Desta essência não existem tais exemplares...

O fardo da lembrança bem-vindo
Sendo esta muito boa ou ruim
Uma gota do licor de tamarindo...
A melodia do festivo bandolim...

Depois dos dons jamais usados
Dos raios adormecidos na endosfera
O futuro em guerra com o passado
O presente na espreita, na espera...

Mal trajados coiotes do monólogo
Línguas abolidas do homem que se basta
Verás a dependência e os fins bem logo
O vínculo brotará da tua própria casta...

A metamorfose que fora interrompida
Sem estados físicos tampouco quânticos...
Na solidão, somente a leve e solta recaída
Abnegados proclames aos ventos pudicos...

domingo, 11 de abril de 2010

Amor (Caris Garcia)

Amor....
(Caris Garcia)

Ah... Se eu não tivesse esse amor...
Que sopra o ar da vida em meus pulmões...
Desces em meu abismo?! Anjo catalisador...
Em local tão escuro...Lágrimas aos milhões...

Para minha alegria, ousado tu és !
Que coragem é essa? Trazes aqui a salubre face?
Tua luz forte é vista aqui, acolá, através...
Esta que não me deixa, voraz rapace...

Quando tento perder o meu sentido
Tu logo me devolves todos e algo mais...
se te faço um rosto meio aborrecido
Deixas-me um bilhete do amor e teus sinais...

Ah... Quem eu seria hoje, se não tu mesmo ?
Que dentro de mim habitas com intensidade...
Às vezes, insensatas palavras blasfemo...
E nem assim, perdes tua claridade...

E dentro de ti acho o meu caloroso refúgio...
Agradeço pois eu tenho o teu amor...
Deixo aqui, registrado este real prelúdio
Viver ao teu lado, é viver sem supor...

A nota

A nota
(Caris Garcia)

Sinto a vibração das notas
que se saúdam, compatriotas
Nos ritmos da confraria
Sem algoritmos...Todavia...

Contudo a nota que sinto vibrar
com profundidade de tua raiz
Em nobres vestes e coroa aureolar
faz das palavras a força motriz...

Utópica salvação deste planeta?
guarda na mente a tua criança...
Com ar despreocupado, ar careta
relembra a imperecível herança...

Teu corpo em tuas terras, deleita!
Vê as mães que abastecem oceanos!
Agradeça todo ciclo da colheita...
Honre os dizeres: Da paz sou veterano!

Em rios, transforma tua unidade
lagos e lagoas da benéfica esperança
Reverta o caos da esterilidade!
O amor na tua vida, hoje alcança!

sábado, 3 de abril de 2010

Decreto para a humanidade





Decreto para a humanidade
(Caris Garcia)

Vista-te, ser que adormece!
Levanta-te desta alienação!
Em nada adianta só uma prece
Nesta vil estrada da contramão...






Certamente, não tão distante de ti...
"Pré-humanos" destroem tua geração
Talvez aqui, os próximos nem chegarão...
Aos supérstites, sequer a sombra do rubi




É tão numeroso o rastro da destruição
Que teu próprio lixo é testemunha...
Envergonha-te logo, de antemão!
E repense o que a natureza propunha...





Destruição da vida do planeta ?
Moda? A que ponto tu chegaste!
Caças com rede a borboleta?
Que bandeira é esta que eleva na haste?




Não deixa o holocausto se modernizar!
Não permita que a injustiça evolua!
Irás deixar teu próprio irmão agonizar?
Achas mesmo, que as árvores são tuas?




Se há esperança? Vê o Decreto!
São tantos os olhos na multidão...
Localiza-te e anda no caminho reto...
Adote-se pois tu estás órfão !





Se tiveras o sucesso de ter nascido...
Enxerga a vida como ela é...
Idealiza como deverás ser conhecido
Constrói em base sólida o tripé...




A primeira lei é o decreto! Voa pelicano!
A segunda é a primeira aplicada...
A terceira: Salvem este ser nem sempre humano!
E o planeta sobreviva na outra virada...





Nota.:

1 - http://paneladepressao2009.blogspot.com/ (Prefácio - O Herói de mil faces - Joseph Campbell)
2 - http://dualpoemas.blogspot.com/ (Símbolos x Desmistificando)
3 - http://carisversusfernanda.blogspot.com/ (A Venda Perdida)
4 - Decreto para a humanidade...



segunda-feira, 15 de março de 2010

LADOS e lados

Lados...
(Caris Garcia)

O corpo e o seu lado esquerdo
a parte direita da alma intacta...
Hoje a dor não volta tão cedo
após a dose do homem de bata...

É uma dança! Essas lateralidades...
Quiçá, as partículas em explosão
uma cura diária de amabilidade
Sensor aguçado, sentido de antemão...

Fragmentos de um vaso tão raro
Humanas nem sempre exatas...
Exatas são exatas...Que fique claro!
Examine, para piano, a 13º sonata!

Da esquerda ou da direita? Juntas!
Certamente invadem todas as muralhas...
Muitas respostas sem perguntas...
Tanta perfeição...Nenhuma falha!

Sem pausa... No auge da precisão...
Bravo! Com três notas se faz tanto!
Improvisos da rompida pulsação
Arrepia até o próprio espanto...

E sem mais nem menos desacelera
Quase uma respiração adormecida...
Entre os lados uma enorme cratera...
Despedem-se na dividida avenida

Uma, vislumbra o sonho dos pássaros
Enquanto a outra, somente os contabiliza...
Entre ambas, fica o sorrateiro bárbaro
que some e aparece, no outono como a brisa...

Lados são lados e nada mais
o lado em que ficar, não importa...
Se olhar somente as credenciais...
...tocará sempre,
...só uma
...nota...

domingo, 7 de março de 2010

O Guerreiro - Parte 2

O Guerreiro - Parte 2
(Caris Garcia)


O fim da guerra chegava...Chegava?
depois de inúmeras batalhas...
Restara-lhe somente uma veia cava
Aprendera a sobreviver com migalhas...

Após tanto isolamento humanitário
de menino à guerreiro...O adversário!
um caminho que fora sem volta...
Aquelas trincheiras sem escolta...

Tempos sem nenhuma carta recebida
Não deixara ninguém na pátria? Não ?
O suor que isalava alguma bebida
a sensação que fora tudo... Em vão?

O telegrama da volta ao lar
tempos sem convívio social
a chegada no porto, o caviar
o sol intenso... Nenhum temporal?

A memória do passado confusa
estilhaços na mente...Pertubador...
A farda rasgada que ainda usa
não sabe mais o significado da dor...

Por fim, para todos...O sobrevivente!
Tantas condecorações...Quase surreal...
A companheira inseparável, aguardente...
Seus feitos eram de um relato excepcional...

Aprendeu que uma batalha termina
e outra logo põe-se em seu lugar...
Acostumado a doses altas de adrelina
a nova rotina do país... O pesar...

Aquela vida normal não lhe pertencia
Não sabia mais nela se enquadrar
sentia-se perdido na aristocracia
Silêncio letal...Cadê as bombas à ladrar ?

Foi então que recebera um comunicado
Animou, o que internamente lhe restara
Uma nova guerra! Não ficaria desocupado...
A lucidez veio como uma flecha rara...

Não precisaria partir para outras terras...
Não usaria mais armas, somente botões...
Eram batalhas inteligentes...A nova era!
Calculada sob a política dos cifrões...

E então ousou de uma manobra arriscada...
Negou-se desta tática participar...
Findou-se com um tiro da velha espingarda
e a própria morte resolveu antecipar...

E assim o bravo e destemido guerreiro
que tantos inimigos abateu ao chão
que sobreviveu a tantos tiroteios
de sua própria vida abriu a mão...

Da Guerra nunca voltam sobreviventes
O sentido, é sempre a falta do mesmo...
A lei é que para alguns é conveniente
as vidas perdidas são calculadas a esmo...

sábado, 6 de março de 2010

O Guerreiro

O Guerreiro
(Caris Garcia)

Segue em vento sufocante
num clima todo desértico
Caminha o guerreiro andante
sobre a vida, é um cético...

Passo vagaroso, cautela e medo
A visão é quase turva, letárgica...
Não dorme, acorda febril...É cedo!
Pensa que tudo se resume na prática...

A ação de fazer o que não foi feito
a ânsia de refazer o destruído
Coleciona tantas glórias no peito
mas não ouve mais o silêncio, só ruído...

No meio das medalhas, cicatrizes
no meio do sangue, o sofrimento...
O guerreiro nunca finca raízes
pois nada finda seu tormento...

Sua vida não permite deslizes...
nem tão pouco uma suave acolhida
Não carrega nem uma valise
para não haver a dor da partida...


A batalha ele logo encara
como se não houvesse outra escolha...
Até ganhar mais uma, não pára
derruba os inimigos como folhas...

Está tão acostumado com a guerra
que esqueceu o significado da paz...
já derrubou tanto sua alma na terra
que em alguma batalha sua alma jaz...

Às vezes um sonho o atormenta
alguém distante vem lhe abraçar...
Traz o ar puro, quase uma placenta
Devolvendo-lhe a vida bem devagar...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Frestinhas da vida...

Frestinhas da vida...
(Caris Garcia)

Aquele murmúrio do vento
entrando na janela pela frestinha ...
Deixando o pensar sonolento
uma manta cobrindo a estrelinha...

Corvo e pássaro os céus cruzando
a neblina, todos os edifícios cobrindo...
As folhas, comemorando em bando
as raízes cantando, "tempo bem-vindo..."

Um marco feito naquela história
do ontem não existe mais nada...
Aparente cicatriz satisfatória
cortes profundos em arranhada...

O "nunca" de fato não existe
e o belo está em toda esquina...
Há avenidas de alegrias e rua triste
e nada que enfraqueça a eterna menina...

Mesmo que o tempo fique abafado
e na frestinha o vento não mais soprar...
ainda existirá o encantado cavalo alado
e lindas histórias românticas para contar...