Musics....

domingo, 7 de março de 2010

O Guerreiro - Parte 2

O Guerreiro - Parte 2
(Caris Garcia)


O fim da guerra chegava...Chegava?
depois de inúmeras batalhas...
Restara-lhe somente uma veia cava
Aprendera a sobreviver com migalhas...

Após tanto isolamento humanitário
de menino à guerreiro...O adversário!
um caminho que fora sem volta...
Aquelas trincheiras sem escolta...

Tempos sem nenhuma carta recebida
Não deixara ninguém na pátria? Não ?
O suor que isalava alguma bebida
a sensação que fora tudo... Em vão?

O telegrama da volta ao lar
tempos sem convívio social
a chegada no porto, o caviar
o sol intenso... Nenhum temporal?

A memória do passado confusa
estilhaços na mente...Pertubador...
A farda rasgada que ainda usa
não sabe mais o significado da dor...

Por fim, para todos...O sobrevivente!
Tantas condecorações...Quase surreal...
A companheira inseparável, aguardente...
Seus feitos eram de um relato excepcional...

Aprendeu que uma batalha termina
e outra logo põe-se em seu lugar...
Acostumado a doses altas de adrelina
a nova rotina do país... O pesar...

Aquela vida normal não lhe pertencia
Não sabia mais nela se enquadrar
sentia-se perdido na aristocracia
Silêncio letal...Cadê as bombas à ladrar ?

Foi então que recebera um comunicado
Animou, o que internamente lhe restara
Uma nova guerra! Não ficaria desocupado...
A lucidez veio como uma flecha rara...

Não precisaria partir para outras terras...
Não usaria mais armas, somente botões...
Eram batalhas inteligentes...A nova era!
Calculada sob a política dos cifrões...

E então ousou de uma manobra arriscada...
Negou-se desta tática participar...
Findou-se com um tiro da velha espingarda
e a própria morte resolveu antecipar...

E assim o bravo e destemido guerreiro
que tantos inimigos abateu ao chão
que sobreviveu a tantos tiroteios
de sua própria vida abriu a mão...

Da Guerra nunca voltam sobreviventes
O sentido, é sempre a falta do mesmo...
A lei é que para alguns é conveniente
as vidas perdidas são calculadas a esmo...

Um comentário:

Fernanda Odaguire disse...

Esse poema é 100% você: o guerreiro que não se cansa (ou se transforma), que embora feliz, realizado, admirado.. ainda há ali um ou outro pontinho de melancolia, da instrospecção... da magia!! Parabéns, adorei!