Musics....

terça-feira, 28 de maio de 2013

Amor Infinito (Caris Garcia)

Amor infinito
(Caris Garcia)


Eu ainda não sei por qual caminho me perco
quando atravesso o cerco e viro fora da lei
um dia peão outro rei, com ouro no berço
se apega ao terço, mas sem você não sei...

Esta sua voz entra de mansinho no meu castelo
forte girassol amarelo que invade o meu ninho
adivinha qual o caminho deste antigo elo
o ritual mais belo, a arca que canta baixinho

Quando ouvir os acordes daquela viola
na cama deita e chora, com você evoluí
nem daqui eu saí, vem vamos embora
olha lá fora foi naquela esquina que cai

Hoje mundos de coleiras diferentes de outrora
a notícia hora a hora, banho sem cachoeira
dia sem eira nem beira, beijos de amora
medo que apavora, não se esconda nem de brincadeira!

O chão de terra nos arredores da vida
seguir a mesma batida que jamais erra
não declare guerra se a maçã for mordida
a estrutura comprometida aqui se encerra

Um dia a gente vai embora pra caminhar mais
glorificar os sais e trocar beijos na aurora
fugir de pandora e seus tristes ais
cânticos confidencias cheios de metáforas

Bonequinhas delicadas de porcelana
artesanato de cana, mão calejada
deita na almofada e leia a mão da cigana
segue pela caravana e atravessa a alvorada

Se eu viesse aqui por você pedir
o perdão aderir no canto de um bem-te-vi
explodindo todo frenesi de um purificado pranto
esta semente eu planto pra nunca te ver partir

O sol resolveu mostrar a sua cara
o pastor e sua vara que ali nasceu
na montanha o apogeu que a noite encara
na flor miúda repara, tem um quê de "Romeu"

Nunca se imaginou na doente vadiagem
cuidou da farta pastagem e o trabalho esmiuçou
a lágrima o fogo apagou, a tristeza virou miragem
subiu na cristalina carruagem e nem pra trás olhou

A carta que traz o amor vivido
o amor sem apelido que não se desfaz
a única dose de paz ao papel atribuído
gritos e gemidos do sofrimento perspicaz

Cingir a mente para restituir a emoção
traz a doce animação com a flor confidente
sentidos tão dormentes para contemplação
o sol na alucinação deveras carente

Trançando os nós do silêncio e suas pausas
o rebelde sem causa rasgando seu paletó
vestimenta de faraó, botões entre pausas
rumo o foguete para aeropausa sem nenhum xodó

Pega o lencinho perfumado jogado ao chão
oportunidades que se vão, dom tão admirado
desfaz o abaixo-assinado se livra da certidão
estufa o peito o centurião: "tenho amor acumulado"

Por fim bronzear a pele com a luz do seu luar

em seus braços me acomodar antes que a alma se rebele...

domingo, 26 de maio de 2013

A nova paleta ( Caris Garcia)

A nova paleta ( Caris Garcia)

Uma vida em preto e branco
antes de você, este era meu retrato
Pobre ópera de um só canto
lágrimas envenenadas, triste relato

Caminhava só, em busca frenética
A auto-destruição minha companheira
Vivia sem amor nem ética
A dor não era passageira

Um gole da amarga polpa da injustiça
Nem tudo é como parecia ser
A escuridão também enfeitiça
Nem a morte eu podia mais temer

Em um dia sem nuvens você surgiu
Raios de mil megatons me atingiram
E meu pulso bateu, o coração rugiu
Em meu corpo as estrelas se feriram

Depois de muito tempo no escuro
A luz que vinha de você me cegava
Eram sensações novas, te juro
Somente te perder eu receava

Um caminho novo surgia
Muitas lições novas para aprender
Você? Trouxe toda artilharia
Envolveu minha alma sem se arrepender

O mundo voltou a fazer sentido
Com o brilho de seu sorriso maroto
A melancolia você havia banido
Em meu coração, o amor, novo broto

As cores invadiram minha existência
Com uma tsunami de fraternidade
Nasceu um novo meio dia
Repleto de paixão e bondade

O dia que a terra parou (Caris Garcia)


O dia que a terra parou
(Caris Garcia)

Aquela foi a primeira vez
Que a Terra parou para nos ver passar
O olhar inocente, a brisa fresca nos beijando...

Era a mais simples a nossa dança
Tão natural quanto as flores brotando
Um ritmo lento, batida mansa
Passos sincronizados, ecos germinando

em nosso ritmo dançavam as folhas
As ruas subiam e desciam no mesmo lugar
Os vinhos, as taças e as rolhas
Uma gruta de sensações no altar

que tudo seja determinado pelo luar
alegorias de cristal para contemplação
um buquê de rosas brancas para namorar
o infinito é apenas a nossa extensão

Hoje, nada de ficar à deriva...
em terra joga sua âncora o marinheiro
Você ancorou em mim! Viva!
Com você não existe roteiro ...

O retorno (Caris Garcia)


O retorno


E assim ele chegou e parou na porta
Com quem diz, cá estou de volta...
"Há lugares que retornamos justamente por que nunca deveríamos ter saído..."

Um misto de grãos de areia e terra
Tudo ele trouxe na bagagem
O início da vida que se encerra
Muito trabalho e pouca vadiagem

Há de ser certo, o início do recomeço
Sempre haverá o caos da escuridão
E a luz lá no fundo, um raio travesso
Vitória se conquista pela paixão

É um manjar se apaixonar pela vida
Reconhecer que a sobrevivência é o meio
A chegada é o fim, e o começo é a partida
Um café com adoçante, um pão de centeio

Eu sempre soube que você voltaria
Tão certo como os animais que migram
Tão multiplicador como as ondas que se quebram
O amanhecer em cima da mesma rocha fria...

Esse abraço durou uma eternidade
O universo inteiro desfilou em frações
Momentos como esses que viraram canções
Sem orgulho, nem rancor ou vaidade

O reencontro por fim aconteceu
Os cheiros, gostos e toques intensos
A emoção rica dos minutos e silêncio
Vivo e sinto o momento, não penso

O importante não é o que será daqui pra frente
é apenas o descobrir do caminho de volta....

E saber que todas as minhas rotas me trouxeram aqui, de volta pra você ....