Musics....

segunda-feira, 15 de março de 2010

LADOS e lados

Lados...
(Caris Garcia)

O corpo e o seu lado esquerdo
a parte direita da alma intacta...
Hoje a dor não volta tão cedo
após a dose do homem de bata...

É uma dança! Essas lateralidades...
Quiçá, as partículas em explosão
uma cura diária de amabilidade
Sensor aguçado, sentido de antemão...

Fragmentos de um vaso tão raro
Humanas nem sempre exatas...
Exatas são exatas...Que fique claro!
Examine, para piano, a 13º sonata!

Da esquerda ou da direita? Juntas!
Certamente invadem todas as muralhas...
Muitas respostas sem perguntas...
Tanta perfeição...Nenhuma falha!

Sem pausa... No auge da precisão...
Bravo! Com três notas se faz tanto!
Improvisos da rompida pulsação
Arrepia até o próprio espanto...

E sem mais nem menos desacelera
Quase uma respiração adormecida...
Entre os lados uma enorme cratera...
Despedem-se na dividida avenida

Uma, vislumbra o sonho dos pássaros
Enquanto a outra, somente os contabiliza...
Entre ambas, fica o sorrateiro bárbaro
que some e aparece, no outono como a brisa...

Lados são lados e nada mais
o lado em que ficar, não importa...
Se olhar somente as credenciais...
...tocará sempre,
...só uma
...nota...

domingo, 7 de março de 2010

O Guerreiro - Parte 2

O Guerreiro - Parte 2
(Caris Garcia)


O fim da guerra chegava...Chegava?
depois de inúmeras batalhas...
Restara-lhe somente uma veia cava
Aprendera a sobreviver com migalhas...

Após tanto isolamento humanitário
de menino à guerreiro...O adversário!
um caminho que fora sem volta...
Aquelas trincheiras sem escolta...

Tempos sem nenhuma carta recebida
Não deixara ninguém na pátria? Não ?
O suor que isalava alguma bebida
a sensação que fora tudo... Em vão?

O telegrama da volta ao lar
tempos sem convívio social
a chegada no porto, o caviar
o sol intenso... Nenhum temporal?

A memória do passado confusa
estilhaços na mente...Pertubador...
A farda rasgada que ainda usa
não sabe mais o significado da dor...

Por fim, para todos...O sobrevivente!
Tantas condecorações...Quase surreal...
A companheira inseparável, aguardente...
Seus feitos eram de um relato excepcional...

Aprendeu que uma batalha termina
e outra logo põe-se em seu lugar...
Acostumado a doses altas de adrelina
a nova rotina do país... O pesar...

Aquela vida normal não lhe pertencia
Não sabia mais nela se enquadrar
sentia-se perdido na aristocracia
Silêncio letal...Cadê as bombas à ladrar ?

Foi então que recebera um comunicado
Animou, o que internamente lhe restara
Uma nova guerra! Não ficaria desocupado...
A lucidez veio como uma flecha rara...

Não precisaria partir para outras terras...
Não usaria mais armas, somente botões...
Eram batalhas inteligentes...A nova era!
Calculada sob a política dos cifrões...

E então ousou de uma manobra arriscada...
Negou-se desta tática participar...
Findou-se com um tiro da velha espingarda
e a própria morte resolveu antecipar...

E assim o bravo e destemido guerreiro
que tantos inimigos abateu ao chão
que sobreviveu a tantos tiroteios
de sua própria vida abriu a mão...

Da Guerra nunca voltam sobreviventes
O sentido, é sempre a falta do mesmo...
A lei é que para alguns é conveniente
as vidas perdidas são calculadas a esmo...

sábado, 6 de março de 2010

O Guerreiro

O Guerreiro
(Caris Garcia)

Segue em vento sufocante
num clima todo desértico
Caminha o guerreiro andante
sobre a vida, é um cético...

Passo vagaroso, cautela e medo
A visão é quase turva, letárgica...
Não dorme, acorda febril...É cedo!
Pensa que tudo se resume na prática...

A ação de fazer o que não foi feito
a ânsia de refazer o destruído
Coleciona tantas glórias no peito
mas não ouve mais o silêncio, só ruído...

No meio das medalhas, cicatrizes
no meio do sangue, o sofrimento...
O guerreiro nunca finca raízes
pois nada finda seu tormento...

Sua vida não permite deslizes...
nem tão pouco uma suave acolhida
Não carrega nem uma valise
para não haver a dor da partida...


A batalha ele logo encara
como se não houvesse outra escolha...
Até ganhar mais uma, não pára
derruba os inimigos como folhas...

Está tão acostumado com a guerra
que esqueceu o significado da paz...
já derrubou tanto sua alma na terra
que em alguma batalha sua alma jaz...

Às vezes um sonho o atormenta
alguém distante vem lhe abraçar...
Traz o ar puro, quase uma placenta
Devolvendo-lhe a vida bem devagar...