Musics....

sábado, 16 de julho de 2016

Escuridão em plenitude (Caris Garcia)

Escuridão em plenitude
(Caris Garcia)
Ilustração: Teigi Hirae



















O padecimento malévolo e sem rima
Na rua da consternação no ímpio lado
sem alvo, multidão muda, sem mina
O acréscimo seriam casas pretas no tablado

Desalinhados de hipocrisias banais
A nudez e as feridas em carne viva
Não há cura em remédios artificiais
Nas manhãs, o gosto de sangue na saliva

O corpo tentando afetar a mente
Em estágios quase compulsórios
Nada afeta mais as muralhas! Não tente!
A supremacia não vinha do oratório!

A infância é a palavra máxima da utopia
Desmedida, insana coerência de tomos e atos
O confronto da batalha em asfixia
A conclusão já está pronta de imediato!

Em sucessões de embarcadas rotas sem volta
Onde a escuridão, em círculos se transcende
Sem vencedores, nem perdedores. Não há derrota!
Aqui onde a caverna escura apenas se estende

Infinitos anéis se rompendo e aumentando
As castas de gelo e enxofre em fusão
Fonemas mudos se ajustando em um comando
Onde a subtração se glorifica, não há adição!

O próprio medo, em choque se retira
A metafísica alquímica em ordem avança
O mundo parou, nem o tempo mais gira
O passado não fica mais, nem na lembrança

Apenas aquela máxima que jaz
Nas cortinas que subiram lentamente
O fim terminou em aplausos de tanto faz
A palidez não usa máscaras! Venha de frente!

Os véus de aço estenderam seus avanços
A ordem já dada em escalas de cinza e preto
Teoremas da sublimação no ingênuo balanço
a fraternidade da dor alegremente no coreto

Guiados pelos criadores do caos, infinitamente em sua bondade devastadora, a destruição do nada nem faz diferença. Nem um outro ato, se multiplica mais.
A sinfonia perfeita da transição. A.C. e D.C diziam os manuscritos antigos.
Não se ousa mais enfrentar a dor, quando lhe é permitido ser a própria.
Em seu último ato, a caverna se fechou.


https://www.youtube.com/watch?v=oSRk39B6QqQ

https://www.youtube.com/watch?v=d1yfX6VnrSU


2 comentários:

jackeline disse...

oi miga.
É impressionante que, mesmo na dor, a sra faça poesia disso! Não podia dizer somente: ái que dor!? Mas não! A mente criativa de uma poetisa transcende "a dor"!...
Parabéns
Jacke
PS: procurou um médico né? rs

Anônimo disse...

E quem nunca se sentiu o gosto de sangue na garganta ao amanhecer. São os fragmentos arrebatados do que almejamos e que contudo, não se conseguiu ser. É importante a perda para crescer, e por muitas outras vezes estar-se-a distante de tudo que ousou aprender. O ser humano é traído por suas vontades e até mesmo quando esta se abstém do ser. Belas palavras.