Musics....

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Guerra de flores (Caris Garcia)

Guerra de flores
(Caris Garcia)

Ilustração: Teigi Hirae






















Em estradas tão diversas e obscuras
Em rotas ligeiras, densas e sinuosas
Sensações extraordinárias de intensa ternura
O grito densamente abafado da poesia e da prosa

As cores renasciam uma a uma
As asas estavam despertando
É de frente que se vence! O risco? Assuma!
Uma única voz no comando !

Em movimentos leves da integridade
A mistura original circulava intacta e primitiva
O que nos salva é só a verdade
Não há outra saída nem justificativa

Todo ambiente sublime se eleva
Ancestrais abençoando todo o colorido
Tudo que não faz parte se releva
A caixa de pandora aberta, nosso tesouro tão escondido...

O pulso voltava em ritmo cadenciado
Como boleros antigos da boemia
Livres de hipocrisias e pecados
Conversas tribais antigas em telepatia

O oxigênio correndo pelas veias
Combustões múltiplas e sequenciais
Todos em festa no Eldorado, nossa aldeia...
Chega de "menos", nossa vida é só o mais

Jamais pode ser visto o ápice da alegria
Nem vivida em qualquer outro lugar
Olha a vitória, mas se lembra o tamanho da travessia
Apenas retiramos todo o sal do mar...

A magia da pureza espiritual
Tocando incessantemente a essência
O íntimo da tranquilidade subindo o degrau
Vulcões em atividades navegando ares de paciência

Águas tão calmas e mansas
A paz percorrendo todas as gotas
Aquela velha canção que não se cansa
O elo liberto na paradisíaca rota

As partículas formando novas cachoeiras
Todo o seio acima do amor, o ninho
Óleo nas juntas, sacudindo a poeira
Como bálsamo, cura labirintos e abismos do caminho

Até o impossível nos fez reverência
Nada poderia conter o magma contido
O táctil em cíclica urgência
Inclusive os inimigos se prostraram, vencidos

Novos horizontes para o par de  borboletas
Que das cinzas renasciam e se uniram mais uma vez...
Guerra de flores ecoando nas trombetas
O coração valente, na esperança e fé, assim se fez...

http://youtu.be/xuUE_BWwxjA

3 comentários:

jackeline disse...

oi miga. Esta ou desta vez, li uma poesia pós batalha! Não posso afirmar que seja uma poesia surrealista, mas quase posso afirmar que o amor te enleva! Te salva! Te norteia e, por isso a faz vencedora, dessa sua guerra de foro quase intimo (quase, pq vc publicou! rs).
Parabéns
Jacke

Anônimo disse...

Ela vestiu sua nova roupa metafraseado dos contextos do seu amado sentir. Por mais uma vez sinto-me encantado pela doce forma com que conduz seus versos. Belíssimas palavras.

Anônimo disse...

Poucos são os que descrevem com tanta nitidez o reencontro do amor... Talvez eu esteja apenas sendo repetitivo ao evidenciar o obvio. Outrora tudo não passa de um mero fruto desta minha mente infantil pensativa. O fato, é que vejo no texto Guerra das Flores um atropelamento extasiado de emoções o que explico abaixo:

O oxigênio correndo pelas veias - O amor se faz novo e revive o ser na intensidade do momento

Combustões múltiplas e sequenciais - As singelas emoções do sentir nos instigam a mente e o pensamento.

Todos em festa no Eldorado, nossa aldeia... Aqui se percebe que a comemoração não se refere a varias pessoas mas sim a festa pela unicidade do encontro.

Chega de "menos", nossa vida é só o mais - Não se tem o convívio do amor com menos, e chega um ponto que somente o mais vem nos preencher

Até o impossível nos fez reverência - E como se não bastasse, fica descrito a prova de todos que para este amor o impossível subjuga-se a vontade

Nada poderia conter o magma contido - Despertou-se o vulcão adormecido, e nada mais o contém

O táctil em cíclica urgência - E esse toque suave dos enamorados que nos inflama a alma até mesmo por pensar

Inclusive os inimigos se prostraram, vencidos - Vitoriosos e soberbos em si.

Não existe nada maior que a vontade, e quando esta existe dentro do peito... O que de longe chamam de loucura, para a plenitude do casal é chamado de resiliência do amor.

Adoro ler seus textos...Fico viajando meio ao tempo das palavras e dos versos. E nestes descanso todas as minhas inquietações.