Musics....

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Cântico do Vazio (Caris Garcia)

O Cântico do vazio...
(Caris Garcia)


Bem maior sua densidade que a solidão...
Nele o infinito se recria e vira um mero joguete...
Ou apenas um pequeno prêmio ou presente
Talvez a vontade da inexistente conclusão

Estranhos os desígnios divinos
Simplicidade vulcânica essa, que nos desafia
Ficamos à mercê do carrasco albino
Na revolução contida da anarquia

A cada segundo que não gera vida
Surge a gota de uma partícula tão afiada
Que não tem remédio, mérito nem acolhida
Somente a perfeita pureza do nada

Para alguns seria quase um disparate
Contra a vontade que se alimenta do não
Como um tecelão fazendo o arremate
Da peça inacabada da implacável aflição

Se dá de maneira tão sorrateira
Quiçá uma perspectiva da neutra zona
Deixa o ser no cárcere da abandonada aldeia
Com o sorriso misterioso da madona

Se perfila com exatidão o abstrato
Enquadra com perfeição o aprisionado esquecimento
Que defende o mundo do puro anonimato
E da vida se retrai, passa a catraca do sofrimento


Sem maiores questionamentos a mente se afasta
A centelha divina permanece inexistente
A melancolia sem o amparo, doente...
O movimento fechado que se basta

Um ciclo claro da sua existência
A demonstração que a dor é puro recado
O selo do vazio nem sempre é quebrado
É leal ao seu acolhido e enriquece sua experiência...


3 comentários:

irineu xavier cotrim disse...

lindos versos, a leveza das palavras nos faz viajar no imaginário.

Mulheres de areia disse...

obrigada amiga, seus versos enchem de esperanca minha vida tão vazia...

Yehrow disse...

Caris, bom dia!
Ler seus poemas é ler um pouco de você. Confesso, adoro ler-te. Sempre! É com imensurável prazer que se da essa sintonia, é algo que me preenche e complementa a alma em seu lúdico Universo.
"Talvez a vontade da inexistente conclusão", seja a continuidade dos eternos anseios de se recriar o amanhã em cumprimento a lei da transformação; "nada se perde tudo se transforma".
Beijos!